Usar bonecos e outras animações para contar histórias é uma prática bem antiga do Homem. Na época em que se vivia nas cavernas, por exemplo, projetar à luz do fogo sombras nas paredes por diversão ou mesmo para contar aos outros como tinha sido o dia, era muito comum. Hoje, essa prática conhecida como teatro de animação evoluiu, e vemos nos cinemas e teatros os Homens contando histórias utilizando bonecos.
Este é o caso da Cia. Polichinelo de Teatro de Bonecos, que trouxe a Franca, no último mês, a peça infantil A Odisseia de Juvenal e o Dragão da Gruta do Mal. O grupo volta hoje à cidade para uma palestra sobre o tema, às 20 horas, no Sesi, com entrada gratuita.
Para explicar mais sobre o assunto, o Clubinho conversou com o diretor e fundador da Polichinelo, Márcio Pontes, que também é responsável pelo Museu de Bonecos de Araraquara (SP), cidade onde o grupo nasceu. Confira.
Clubinho - O que é teatro de animação?
Márcio Pontes - Teatro de animação é uma forma de se contar histórias utilizando bonecos ou objetos para isso. É um jeito bem antigo de fazer teatro. No teatro, na maioria das vezes são os atores que utilizam seu próprio corpo para dar vida às personagens das histórias, já no teatro de animação, as personagens são representadas pelos bonecos ou até mesmo por objetos que são movimentados através de fios, de varas ou com os atores segurando diretamente os bonecos.
Clubinho - Como surgiu esse tipo de teatro?
Márcio - O teatro de animação é tão antigo quanto o homem. Desde a época das cavernas, os homens já sentiam necessidade em expressar uma ideia, contar como foi o seu dia, ou mesmo divertir a família. Então, utilizavam sombras feitas nas paredes da caverna, ao redor de uma fogueira. Dizem que nesse momento é que surgiu o primeiro teatro de animação. Depois, criaram bonecos para representar divindades como o vento, a chuva e o trovão (eles acreditavam que eram deuses!) e faziam muitos rituais com eles. Com o passar do tempo, eles foram sendo usados para contar histórias, criando, assim, o teatro de bonecos que conhecemos hoje. Aqui no Brasil eles chegaram junto com os imigrantes, principalmente os italianos e espanhóis, que já tinham por hábito fazer pequenos teatros, principalmente com os bonecos de luva, que conhecemos como ‘fantoches’.
Clubinho - Quais os trabalhos mais conhecidos no Brasil e exterior?
Márcio - Puxa! São muitos! Mas o grupo Vento Forte, do diretor Ilo Krugli, parece ter marcado o início da valorização do teatro de bonecos no Brasil, trazendo para o palco de importantes teatros no país a forma de se contar histórias com bonecos, auxiliando outros grupos a seguirem o mesmo caminho. Como referências mais conhecidas podemos citar: Jim Henson (The Muppets), nos Estados Unidos, a Cia Jordi Bertran, da Espanha, dentre outros. No Brasil, destacam-se o Grupo Giramundo, de Belo Horizonte e a Cia Truks, de São Paulo. Mas, há muitas companhias importantes, com lindo trabalhos, tanto para as crianças quanto para os adultos.
Clubinho - Como se tornar um profissional da área?
Márcio - Infelizmente não há, no Brasil, nenhuma escola dedicada a formar atores-manipuladores (como são chamados as pessoas que trabalham com essa arte). Mas há faculdades ou cursos voltados para a formação de atores, o que é muito importante, pois pra se movimentar um boneco é preciso saber representar! Depois de terminar o curso, quem quiser se aprofundar nessa área pode entrar em contato com grupos que já trabalham com teatro de animação ou estar alerta para cursos esporádicos, que podem acontecer em locais voltados à cultura, como secretarias, Sesis, Sescs, museus, dentre outros.
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