Assentados do Boa Sorte ‘sequestram’ ônibus escolar


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Ônibus ‘apreendido’ no Boa Sorte; máquinas da Prefeitura também foram impedidas de deixar o assentamento
Ônibus ‘apreendido’ no Boa Sorte; máquinas da Prefeitura também foram impedidas de deixar o assentamento

Cansados das condições precárias do ônibus escolar que levava seus filhos diariamente a três escolas de Restinga, os assentados da Fazenda Boa Sorte tomaram medidas drásticas ontem. Eles impediram a saída do ônibus que faria o transporte dos estudantes, além de “apreenderem” outras quatro máquinas que trabalhavam no reparo das estradas do assentamento. Os oito funcionários que estavam realizando o trabalho foram feitos “reféns” durante quatro horas, embora tenham negado a condição de cárcere privado posteriormente à polícia.

Por volta das 11 horas, apenas um ônibus chegou ao assentamento para transportar as crianças. Mas, para realizar o translado dos cerca de 100 estudantes, eram necessários dois ônibus. Revoltados, os pais impediram que o ônibus saísse. “O ônibus está com o vidro quebrado, sem cinto de segurança e tacógrafo, o limpador de para-brisa não funciona, a porta de trás não abre. E o outro ônibus que vem é pior do que esse, tem até buraco. Além disso, faltando um ônibus, iam colocar todas as crianças em um ônibus só. Vamos acabar perdendo um filho assim”, disse a agricultora Ana Valério, 41.

No início da tarde, a diretora de Educação do município, Lúcia Helena Rubim, foi ao assentamento e registrou as reclamações. “A partir de amanhã [hoje], mandaremos [ao assentamento] os melhores ônibus que temos, que não são tão bons”, disse.

Enquanto a diretora conversava com os assentados, a PM chegou ao local e prometeu verificar a situação do ônibus. “Primeiramente, vamos verificar toda a documentação do ônibus e do motorista. Se tudo estiver regularizado, ambos serão liberados. Se estiver faltando no ônibus algum tipo de equipamento obrigatório, tais como tacógrafo e cinto de segurança, serão tomadas as providências cabíveis. O veículo poderá ser encaminhado ao Pátio ou novamente à Prefeitura, para que os reparos sejam feitos”, disse o sargento PM Alexandre Renardi.

Ele esclareceu que os assentados envolvidos não serão autuados, já que, segundo ele, não houve situação de cárcere privado nem de depredação pública. No entanto, o diretor de Transportes da Prefeitura, Maurício Soares, um dos oito funcionários que ficaram “em poder” dos assentados, havia dito à reportagem do Comércio, mais cedo, que foi impedido de sair do local. A informação também foi rebatida pelos assentados, que afirmaram que os funcionários poderiam ir quando quisessem e que estavam ali como “convidados”.

Quanto às queixas do ônibus, Soares afirmou que a reposição do vidro do ônibus já foi protocolada e o material deve chegar ainda semana. Disse ainda que o veículo passou por uma vistoria completa no mês passado, ocasião em que não foi detectada nenhuma falha. “Faltaram três motoristas hoje, e eu não posso colocar qualquer um para levar os alunos”, justificou Maurício sobre apenas um ônibus ter ido buscar os estudantes.

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