Advogado previdenciário, o presidente da Câmara, Jépy Pereira (PSDB), exerceu a função de juiz e condenou Lucas Lespinasse por ter promovido um “atentado à pizza” contra o Poder Legislativo. A pena aplicada ao “terrorista” foi rigorosa: ele terá que passar as manhãs limpando o plenário, onde pisam os vereadores. O “julgamento sumário” foi feito durante a sessão de ontem no “tribunal” da Câmara Municipal. Não foi dado o direito de o condenado recorrer. (Veja aqui o vídeo e comente).
Por mais absurda que possa parecer, a situação é real, foi transmitida pela TV e internet e aconteceu, justamente, segundos após um vereador afirmar na tribuna que a Câmara precisa rever suas atitudes para evitar mais danos à sua imagem. “Precisamos voltar para o prumo e refletir os nossos atos. Caso contrário, seremos condenados politicamente”, alertou Adérmis Marini (PSDB).
Jépy Pereira parece não ter ouvido o alerta. Se ouviu, ignorou. Terminado o discurso de Adérmis, ele assumiu a palavra e relembrou o episódio ocorrido na semana passada, em que Lucas atirou duas pizzas no plenário em forma de protesto ao relatório final da CEI do Viaduto assinado por Claudinei da Rocha (PP) e Donizete da Farmácia (PSDB), descartando irregularidades na obra. “Ele perdeu a grande oportunidade da vida dele de vir ao plenário e oferecer pizzas às pessoas presentes. Se tivesse gritado ou falado qualquer coisa, não teria problema nenhum. O fato de ele ter atirado a pizza realmente constituiu uma infração penal. É isso que está sendo apurado”, sentenciou Jépy.
No dia do “atentado”, Jépy mandou seu assessor registrar um boletim de ocorrência e encaminhou ofício à Polícia Civil pedindo a abertura de uma investigação para apurar o suposto crime de injúria real e desacato por parte de Lespinasse.
O inquérito ainda está na fase inicial e apenas o acusado prestou depoimento. Testemunhas ainda não foram ouvidas. O 1º Distrito Policial tem 30 dias para concluir a apuração e enviar o processo para apreciação do Ministério Público e da Justiça. Mas, para Jépy, a condenação do “terrorista da pizza” é favas contadas. O vereador, inclusive, anunciou a sentença. “Com certeza, ele será condenado, talvez, para vir limpar aqui, às terças-feiras, no horário das 9 horas ao meio-dia. Provavelmente, vai acontecer isso. São atitudes que, como presidente da casa, na verdade, tenho que preservar”, concluiu.
INTIMIDAÇÃO
Não é a primeira vez que Jépy Pereira tenta calar manifestantes com processos. No ano passado, ele ingressou com uma ação na Justiça cobrando explicações da comerciante Viviane Araújo referentes a protestos que ela havia participado em 2011 contra o aumento dos salários dos vereadores. O crime de Viviane foi exibir uma faixa com os dizeres: “Estamos sendo assaltados”.
Durante o protesto que tomou conta das ruas de Franca, em junho, Jépy Pereira foi um dos principais alvos dos manifestantes, mas parece não ter dado muita importância para a voz das ruas. Dias depois, ele abandonou a sessão alegando compromissos administrativos e viajou ao lado da mulher e amigos para curtir férias em Cuba.
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