Em três anos, o número de professores mediadores dobrou na região de Franca. Em 2010, quando o projeto da rede estadual de ensino começou, eram 23 profissionais atuando na Diretoria de Ensino de Franca (que engloba mais nove cidades). Agora eles são em 46. A ampliação acompanha o que ocorreu em todo o estado de São Paulo, onde o número de professores capacitados passou de 1.156 para 2.859, representando um acréscimo de 147%.
A figura do professor mediador foi idealizada pela Secretaria Estadual de Educação para proteger os alunos dos fatores de risco e aproximar a comunidade da escola. Entre as funções desse professor, estão as de tomar providências contra o bullying, agressões e indisciplina; desenvolver projetos educacionais que melhorem a convivência do corpo discente e aconselhar os alunos em diversos assuntos, desde uma briga com os pais até uma gravidez inesperada.
Os educadores podem ser de qualquer disciplina. Para se tornarem mediadores, eles precisam passar por avaliações da escola e da Diretoria de Ensino e realizar um curso de capacitação, durante o qual estudam o Estatuto da Criança e do Adolescente e técnicas de resolução de conflitos.
O coordenador do Sistema de Proteção Escolar da Secretaria, Felippe Angeli, explica que problemas como convivência dos alunos, bullying e sexualidade já eram combatidos há muitos anos pela pasta por meio de vários projetos. O cargo de professor mediador surgiu quando o órgão percebeu a necessidade de ter um líder pedagógico no interior das instituições cuidando de tais assuntos.
O crescimento do projeto é planejado, segundo Angeli. Todo ano, novas vagas são abertas. “Sempre foi nosso objetivo expandir o projeto gradualmente, para que pudéssemos avaliá-lo constantemente e preparar o professor para atuar como mediador”, disse.
DADOS
Segundo Felippe, o programa tem boa aceitação entre os educadores. Na última avaliação anual, feita no ano passado, 90% dos diretores entrevistados queriam que suas escolas permanecessem no projeto, e 86% deles disseram que as relações de convivência melhoraram com a presença do professor mediador. Divulgada na semana passada, uma pesquisa feita pela Secretaria da Educação com 1,1 mil funcionários de todo o Estado aponta que 90% deles aprovam as ações dos professores mediadores.
A conselheira tutelar Viviane Silva explica que a maioria dos casos de mau comportamento dos alunos já é resolvida no próprio ambiente escolar. Em junho deste ano, o Conselho Tutelar recebeu 204 encaminhamentos de escolas. Em maio, foram 173. “O que mais vem para o Conselho é em relação a faltas, ou seja, a evasão escolar. Os casos de indisciplina e bullying são poucos”, explica Viviane, acrescentando que atende quase que inteiramente alunos das redes estadual e municipal.
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