Não é novidade para ninguém que o número de veículos em circulação na cidade cresceu em ritmo de progressão geométrica nas duas últimas décadas. Por isso, o tráfego tornou-se bastante difícil principalmente nas ruas do centro que, evidentemente, não foram projetadas para dar vazão ao volume de carros da atualidade. Isso tudo influencia diretamente no trânsito, que se torna infernal em horários de pico, em especial na área central. Fica muito difícil trafegar pela manhã, na hora do almoço, no horário de fechamento dos bancos e no fim da tarde, com o encerramento do expediente nas fábricas e lojas. Contando ainda com a imprudência, a inobservância das leis de trânsito e a pouca destreza do motorista francano, cria-se uma situação bastante complicada.
A Prefeitura, para tentar melhorar o fluxo de veículos na área central, vai eliminar 329 vagas de estacionamento até o Natal deste ano. O corte, que deverá acabar com mais da metade dos espaços disponíveis atualmente (são 650 no total), acontecerá de forma gradativa. Começa já nesta semana, pela rua Júlio Cardoso. Mas a promessa é de que, até o final do ano, as vagas tenham sido eliminadas em dez vias.
Claro que a expectativa geral, diante da situação atual quase caótica, é que os objetivos da coordenadoria de Trânsito sejam atingidos. Mas, além de ainda ser cedo para comemorar, a medida — ainda que funcione — é apenas uma das muitas necessárias. Afinal, os problemas do setor que são inúmeros e a inexistência de planejamento no crescimento da cidade, com o correr dos anos, tornaram-se elementos complicadores que fizeram desembocar na situação atual. Deve-se levar em conta que a maioria das ruas do Centro foi projetada para cavalos e carroças. Hoje, não há como alargar estas vias (e a rua do Comércio é um exemplo bastante claro, assim como as demais paralelas) e, por isso, é necessário um estudo bastante amplo que busque alternativas para evitar uma total estagnação do tráfego na região.
Não se pode esperar que o corte das vagas resolva o complicado fluxo do trânsito. Outras medidas, como a sincronia dos semáforos instalados em todas as ruas afetadas também deveriam ser providenciadas. Do contrário, do jeito que está não há como o tráfego fluir com naturalidade. Afinal, há ruas em que o motorista é obrigado a parar a cada cruzamento em razão dos sinais luminosos. Além de causar irritação, eleva o gasto com combustível e atravanca o fluxo de veículos.
Do que se tem certeza é que, hoje, as ruas do centro já não comportam o grande número de veículos que circulam por elas. Uma frota acima da capacidade das vias, aliada às barbaridades que alguns motoristas cometem no trânsito, causa preocupação, principalmente quando se olha para os anos que virão. Será que conseguiremos nos livrar do caos que hoje se delineia? Sim, torce o francano. Espera-se que esta primeira medida consiga trazer algum benefício, mas que não se estacione nela. É preciso planejar o futuro — próximo — do trânsito de Franca.
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