“Ninguém nos escuta, então precisamos gritar mais alto.” Essa frase, dita por um dos estudantes que estão ocupando as dependências da Unesp de Franca há cerca de um mês, resume o motivo da ação. Em greve desde o dia 29 de maio, os alunos da universidade alegam que, como não tiveram nenhuma resposta da direção sobre suas reivindicações, precisaram tomar medidas mais enérgicas. A opção foi transformar a diretoria e uma das salas de descanso dos professores em dormitórios. Alguns dos participantes calculam que o grupo é composto por cerca de 200 pessoas. O diretor local, Fernando Fernandes, disse que segue negociando com os alunos.
Na tarde de ontem, o Comércio teve acesso às dependências da universidade e constatou a ocupação. No campus do Jardim Petráglia, muita calmaria. Dentro do bloco que recebe, dentre outras disciplinas, aulas de história, toalhas secando na janela indicavam o sinal da ocupação, que se confirmou dentro da sala de espera dos professores. Um colchão de casal e sete colchonetes estavam espalhados pelo chão, bem como bolsas, roupas, livros, garrafas de água e carregadores de celular.
Na Administração II, a reportagem encontrou parte dos manifestantes que estavam ocupando a sala da diretoria. Eles alegaram que só falariam “oficialmente” após uma pequena assembleia realizada entre todo o grupo. Até o fechamento desta edição, os estudantes não haviam entrado em contato com a Redação. Os grevistas exigem a ampliação do número de bolsas de estudo, melhorias na biblioteca, mais servidores e professores e uma nova moradia.
O diretor da unidade francana, Fernando Fernandes, afirmou que não tomou nem tomará nenhuma atitude mais enérgica para obrigar os estudantes a desocuparem o campus. “Estamos tentando encontrar soluções para as pautas deles. Porém, até o momento, um acordo não foi obtido”, disse. Na próxima semana, três assembleias estão marcadas com cada um dos grupos - além dos alunos, servidores e professores também estão de braços cruzados. “Não é um quadro exclusivo da unidade francana. Mas, estamos confiantes em um final positivo”, concluiu Fernandes.
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