Será necessário um verdadeiro milagre para evitar que, até o final do ano, a economia brasileira não feche num vermelho estrondoso. Em que pesem os esforços do governo, nenhum dos índices que vêm sendo divulgados é capaz de reverter a situação que se desenha. A cada mês que passa tudo fica ainda mais claro e traz preocupação quanto aos reflexos que se produzirão principalmente junto à grande massa trabalhadora brasileira. O futuro ainda é nebuloso e ninguém tem a mínima ideia do que pode acontecer daqui até o fim do ano.
O último alerta aparece nos números do comércio exterior: nos sete primeiros meses de 2013, o déficit da balança comercial do Brasil ficou em US$ 4,989 bilhões. Os dados divulgados ontem pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) mostram que o resultado é o pior da história. Supera os de 1995, quando o acumulado dos sete primeiros meses foi deficitário em US$ 4,224 bilhões. No mesmo período de 2012, foi registrado superávit de US$ 9,927 bilhões. Apenas em julho o déficit foi de US$ 1,897 bilhão. O resultado é o pior para o mês desde 1997, quando foi registrado déficit de US$ 550 milhões. Com isso, já não se dá para distinguir qualquer luz no fim do túnel.
Depois da estagnação do PIB (Produto Interno Bruto), que não dá mostras de reação, e os baixos índices de produção industrial, os números negativos do comércio exterior são desalentadores. E torna-se um complicador a mais na confusa condução da política econômica pelo governo federal. Aparentemente, há uma queda de braço entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do BC (Banco Central), Alexandre Tombini. As declarações das principais autoridades econômicas do País começam a ampliar a dissonância que já vinha sendo observada desde o ano passado. De acordo com analistas, não há, a esta altura, qualquer ação do Planalto para buscar saídas que recoloquem a economia brasileira nos trilhos.
Para deixar ainda mais preocupante a situação, ontem o dólar chegou ao maior patamar dos últimos quatro anos. A tendência é de que a moeda norte-americana mantenha o avanço observado nos últimos meses. Nem as intervenções do governo no mercado tem sido capaz de mudar o panorama. Para os exportadores, é uma ótima notícia. Mas para o governo, não. Deixar o dólar se valorizar em excesso vai causar impacto negativo em praticamente todos os outros setores da economia, empurrando a inflação para o alto. Espera-se, apenas, que o governo passe a agir com mais responsabilidade, efetivamente, contra as turbulências que se formam e podem levar o País a um caminho cujo retorno ficaria praticamente impossível. É hora de agir e buscar soluções. Deixar para depois, no contexto atual, é extremamente perigoso.
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