Autor de ‘atentado’ à pizza na Câmara Municipal depõe à polícia


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Lucas Lespinasse diz que Câmara tenta intimidação e indaga: ‘Qual foi o meu crime? Gordura no carpete?’
Lucas Lespinasse diz que Câmara tenta intimidação e indaga: ‘Qual foi o meu crime? Gordura no carpete?’

O 1º Distrito Policial é a unidade responsável por investigar as ocorrências registradas na área central de Franca. Todos os dias, os policiais saem às ruas para tentar esclarecer casos de furtos, golpes e roubos. Também atendem a frequentes acidentes. Trabalho não falta. Se não bastasse a dor de cabeça causada pelos criminosos, a delegacia agora apura um conflito envolvendo os vereadores locais. O “desafio” da vez é esclarecer o “atentado” à pizza promovido contra a Câmara durante esta semana.

Na sessão de terça-feira, revoltado com o relatório - assinado por Claudinei da Rocha (PP) e Donizete da Farmácia (PSDB) - da CEI (Comissão Especial de Inquérito) criada para investigar suspeitas de irregularidades na construção do viaduto “Dona Quita”, um manifestante jogou duas pizzas de muçarela no plenário em forma de protesto.

O presidente Jépy Pereira (PSDB) não gostou da atitude e determinou a um assessor que registrasse um Boletim de Ocorrência. Também encaminhou à delegacia um requerimento solicitando a abertura de um inquérito para apurar a suposta existência dos crimes de desacato e injúria real por parte do manifestante.

Lucas Lespinasse Sousa Garcia, o “terrorista da pizza”, foi intimado e compareceu à delegacia, ontem à tarde, para prestar depoimento. Acompanhado por um advogado, ele disse que sua intenção era distribuir as pizzas ao público que acompanhava a sessão, mas que ficou “injuriado” ao ouvir a leitura do relatório. Foi quando decidiu jogá-las no plenário. Declarou que não teve a ajuda de ninguém e que se arrependeu do ato.

Lucas criticou a decisão da Câmara em pedir a abertura de inquérito policial. “A partir do momento em que a pessoa ocupa um cargo público, ela está sujeita a protestos. Não agredi ninguém e fiz um manifesto democrático. Qual foi o meu crime? Gordura no carpete?”

Lucas classificou a medida do presidente da Câmara como uma “tentativa de intimidação”. Mesmo tendo que se defender perante a polícia, ele afirmou que não vai recuar. “Se eles pensam que vão intimidar o movimento Vem Pra Rua, eles estão equivocados. O movimento está ganhando força e não vai parar.”

Responsável pelo 1º DP, o delegado Luiz Carlos da Silva disse que a polícia não poderia ignorar o requerimento feito pela presidência da Câmara pedindo a abertura do inquérito. “Todas as vezes em que a denúncia de crime chega à delegacia, nós somos obrigados a apurar. Pretendemos ouvir todos os vereadores para saber se eles querem o prosseguimento da ação no que se refere a ele próprio.”

Um DVD com as imagens do “ataque” auxiliará a polícia na apuração da ocorrência e esclarecerá se houve a participação de outras pessoas. O policial garantiu que a investigação não terminará em “pizza”. “Trabalhamos de maneira séria e vamos encaminhar o inquérito para apreciação do Ministério Público e da Justiça.”

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