Um estudante de 17 anos, morador na periferia de Franca, está sendo ameaçado de morte devido a imagens na internet. Ele é acusado de maltratar coelhos. Ontem, o Comércio teve acesso a informação de que o adolescente foi fotografado em uma aula de abate de animais na escola onde estuda, a Etec (Escola Técnica Estadual) “Professor Carmelino Correa Júnior”, no City Petrópolis. Temendo por sua vida, ele deixou de ir à escola até que as coisas se acalmem, de acordo com o diretor da instituição, Cláudio Ribeiro Sandoval. Ele reafirmou as ameaças contra a integridade do rapaz.
As fotos em questão foram tiradas em 2012, mas somente causaram polêmica na semana passada quando apareceram em uma rede social. Em uma delas, o menor, que estuda para ser técnico em Agropecuária, aparece segurando um objeto cortante no pescoço de um coelho em um dos laboratórios da escola. Em outra foto, sorrindo, ele segura duas cabeças dos mesmos animais. As imagens não deixam claro onde foram feitas. Com isso, os usuários da rede de relacionamento interpretaram a decapitação dos coelhos como um ato de crueldade contra os animais. A repercussão foi grande e isso ocasionou a retirada da página do ar. O rapaz também deixou de frequentar as aulas nesta se-mana. Mesmo assim, alguns membros do Facebook xingaram, ameaçaram e não pouparam palavras para ofendê-lo. “É esse tipo que vira maníaco, estuprador, pedófilo”, postou uma usuária. “A morte é pouco”, falou outra. A reportagem do Comércio apurou que o caso envolvendo o adolescente foi publicado em pelo menos sete páginas diferentes do Facebook. Em uma, a Direi
to dos Animais, uma montagem de fotos do estudante gerou, até o fechamento da edição, 1.870 compartilhamentos e 950 comentários.
O diretor da Etec local contou que advertiu o menor por ter tirado e postado as fotos na internet. “O professor não viu que o aluno havia tirado a foto. Já o aluno achava que estava fazendo uma brincadeira. Ele, no entanto, foi infeliz e irresponsável, porque se expôs para o mundo inteiro. Ele estava aprendendo técnicas de abate”, disse Sandoval.
Sandoval acrescentou que apenas cerca de 20 coelhos são abatidos por semestre. A carne é usada para consumo interno na unidade estudantil e o couro e pés, para produção de artefatos. Ele ainda disse que atualmente, há cerca de 60 coelhos na instituição e as práticas regulamentadas de abate são seguidas à risca.
Ontem, a polícia entrou no caso. À tarde, agentes da Polícia Militar Ambiental e da Vigilância Sanitária visitaram a Etec. “Fizemos uma fiscalização no criadouro da escola técnica, mas não pudemos verificar como é feito o abate dos animais. Constatamos que o criadouro em si atende a todos os requisitos da Vigilância Sanitária e não há vestígios de maus-tratos a animais. A imagem (postada ma rede) choca, mas é uma forma natural de se abater o animal”, afirmou o tenente Robson Barbosa, que participou da operação.
Já o chefe da Vigilância Sanitária da cidade, José Conrado Netto, acrescenta que vai requisitar uma análise do SIM (Serviços de Inspeção Municipal) para verificar a estrutura do abate na escola. Uma inspeção deste órgão no ano passado mostrou que o telhado protetor de plástico do laboratório onde o procedimento é feito precisa ser trocado por um metálico. Isso já foi requisitado.
A reportagem tentou durante todo o dia contatar o estudante, ligando inclusive para seu celular. Ele, contudo, não foi encontrado.

Jovem exibe cabeças de coelhos. Imagem repercurtida em rede social criou polêmica. (Foto: Reprodução)
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