Pontífice da humildade


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Passamos a vida fazendo escolhas, algumas difíceis. Do berço à tumba, portanto durante toda a nossa trajetória de vida, somos rotineiramente convocados pelas circunstâncias, a tomar uma decisão, a fazer uma escolha, seja entre o bom e o ruim, ou mesmo entre o ótimo e o apenas bom.

Fico imaginando o quanto deve ter sido difícil para o então cardeal Bergoglio, Arcebispo de Buenos Aires, aceitar o cargo e a missão que seus pares lhe deram, ao elegê-lo sumo pontífice da Igreja Católica. Sim, pois embora honroso o cargo papal, é inegável que Bergoglio o assumiu em momento bastante turbulento para o planeta e para a própria Igreja Católica, que se vê obrigada a enfrentar denúncias graves de pedofilia, desvio de recursos no Banco do Vaticano, crise na Cúria Romana, além da perda de adeptos no mundo inteiro, para outras religiões.

Além dessas inegáveis dificuldades, o catolicismo vem sendo cobrado a se pronunciar de maneira diferente em vários assuntos, inclusive sobre o uso de métodos anticonceptivos. Bento XVI, não se sentindo em condições físicas e emocionais para continuar no cargo, em atitude, a meu ver, bastante digna, renunciou ao papado, fato não inusitado, já que havia ocorrido, pela última vez, há mais de quinhentos anos.

Bergoglio, argentino de ascendência italiana, padre jesuíta, é escolhido e aceita com humildade, porém, com determinação, a importante mas difícil missão de líder religioso de mais de um bilhão de católicos espalhados pelo mundo. Desde sua eleição, o mundo não teve dúvidas de que os cardeais acertaram na escolha. O hoje papa Francisco reúne, com sobras, todos os predicados para exercer com sucesso as funções papais, reafirmando a condição de grande pastor de almas.

Sua recente visita ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, compromisso assumido por Bento XVI, mas, por Francisco cumprido, só fez reafirmar a certeza da grandiosidade da sua figura. Homem de invejável simpatia e de uma simplicidade e humildade que a todos emociona, inclusive e, de forma especial, líderes de outras denominações religiosas que reconhecem, nele, atributos morais, intelectuais e culturais.

Um amigo fraterno, não católico, disse-me, enfaticamente: ‘não consigo deixar de acompanhar pela televisão, a trajetória do Papa Francisco no Brasil. Ele é extremamente carismático e humilde. Quebra todos os paradigmas e protocolos, transmitindo paz que a todos cativa’.

Penso, sinceramente, que a direção dos destinos da Igreja Católica não poderia estar em melhores mãos. Para encerrar, recomendo a todos a leitura da lindíssima ‘Oração dos Cinco Dedos’, cujo autor é o próprio Papa Francisco, quando ainda era bispo, na Argentina. A oração reafirma, de forma teológica, nosso compromisso de ‘amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo, como a nós mesmos’.

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca

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