Brincando com a vida


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Não é de agora que pequena parcela da população brasileira mostra uma completa despreocupação com a saúde. A automedicação é um instrumento ainda arraigado nos hábitos de muita gente, tendo sido necessária a criação de instrumentos para evitar que remédios causadores de efeitos colaterais perigosos fossem comprados indiscriminadamente, com o único intuito de preservar a saúde do consumidor. Hoje, no Brasil, não é possível comprar antibióticos sem receita médica, prática que era considerada normal em todo o País. Após uma pesquisa mostrar que a venda de medicamentos do tipo não tinha controle e o paciente se automedicava, sem procurar um profissional de saúde habilitado para tal, prejudicando a própria saúde, houve-se por bem criar mais uma barreira para reduzir o consumo dos antibióticos sem orientação.

Os exemplos vão se multiplicando e nem sequelas ou mortes causadas pelo uso de remédios considerados potencialmente danosos e cuja venda é proibida no Brasil são capazes de alertar aqueles que se arriscam conscientemente, em busca de uma silhueta definida em músculos ou a redução de peso sem grandes esforços. A prisão do proprietário de uma academia de ginástica localizada na Vila Aparecida, anteontem, dá bem a dimensão do perigo a que se está exposto quando não há cautela na busca de resultados fáceis e imediatos. Polícias Civil e Militar, com apoio da Vigilância Sanitária, prenderam o empresário e o irmão destes, acusados de vender anabolizantes e produtos contra impotência sexual cujo consumo é proibido no Brasil.

As denúncias investigadas pelo 3º Distrito Policial indicavam que a academia era usada para captação de clientes, venda e aplicação das substâncias. Ao final, policiais e agentes da Vigilância apreenderam anabolizantes, seringas, e produtos para impotência sexual. Além do crime de contrabando, os dois irmãos demonstraram, ao usar um local onde o culto à saúde e ao corpo é patente, um profundo desprezo para com a vida humana. Afinal, a proibição do consumo dos produtos no País decorre de estudos que mostram a sua potencial nocividade à saúde dos usuários.

O que não se entende é que, mesmo diante do grande número de informações disponíveis hoje, há ainda quem se submeta a práticas condenadas pelas autoridades médicas apenas em busca de músculos definidos. Os reflexos dos anabolizantes, há muito se sabe, são inteiramente nocivos para quem os utiliza. São males e doenças em longo prazo que podem, inclusive, causar a morte. Não vale a pena buscar uma saída fácil. A preservação da saúde é mais importante. Esperar que, sem esforço, os músculos ‘bombem’ ou as gorduras desapareçam é contraproducente. E nem que um remédio proibido seja capaz de restaurar a virilidade. Só mesmo um médico é capaz de avaliar a eficácia de um medicamento. Aceitar a aplicação de substâncias proibidas é submeter-se a uma roleta russa potencialmente mortal.

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