Déficit na balança


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As perspectivas que a Balança Comercial do Brasil apresenta para 2013 não são lá das melhores. Depois de 12 anos de resultados positivos, isto é, de saldos favoráveis no cotejo entre exportações e importações, o comércio internacional do País agora, neste ano, deve encerrar com déficit de aproximadamente de US$ 2 bilhões. Quem faz este prognóstico negativo não é o governo; é a AEB – Associação de Comércio Exterior do Brasil, entidade privada que reúne empresas exportadoras. Os números estimados para o final do ano indicam que o País deve exportar US$ 230,5 bilhões, enquanto se espera que as importações cheguem a US$ 232,5 bilhões.

Não é novidade, mas não custa repetir: a participação brasileira no comércio mundial é pífia, girando em torno de 1%. Salvo uma exceção ou outra, não temos marcas mundiais de prestígio. Não construímos uma estratégia de negócios no mundo globalizado. E, nesse caso, quando caem os preços das commodities ou o volume das exportações de petróleo e derivados, a situação fica difícil em termos de resultados. Há um ditado que diz ‘somos hoje o que ontem semeamos’. No comércio internacional não é diferente. O que semeamos nessa área nos últimos anos?

A inserção no mercado internacional é, e sempre será, fruto de uma política consciente de longo prazo. Tome-se, por exemplo, aqui na América Latina, os casos de países como Chile e Colômbia e, no mundo, as experiências da China ou da Coréia do Sul. O país andino, lá pelos anos 70, só exportava salitre e cobre; a partir do estabelecimento de uma política de inserção na arena mundial, colocou-se como membro efetivo do clube que joga o jogo do comércio mundial, com produtos e marcas que o planeta reconhece: vinhos, frutas, pescado.

No caso da Colômbia, apesar dos problemas políticos que o país enfrenta há anos, governo e empresariado estabeleceram linhas políticas de atuação no mercado internacional que asseguraram ao país, o reconhecimento da qualidade do café ali produzido, desbancando, em qualidade, a posição que o nosso produto desfrutava. Além do café, a Colômbia é grande (e reconhecida) exportadora de flores.

Coréia do Sul e China podem ser considerados casos excepcionais. A Coréia do Sul começou sua ‘revolução’ também lá pelos idos de 1970 e, com firmeza e visão de longo prazo, investiu, com competência e rigor, na educação dos seus cidadãos e no estabelecimento de objetivos estratégicos na economia internacional. Hoje, tem presença assegurada na indústria automobilística, eletroeletrônica e de comunicações, com marcas de renome e aclamadas no mundo inteiro. Quanto à China, nem é preciso falar: ela é a fábrica do mundo e quando cresce pouco, seu PIB aumenta 7,5% ao ano.

Quanto ao Brasil, os números da AEB não são alvissareiros. E suas consequências se mostrarão presentes em vários setores e direções: na taxa de câmbio, no emprego, nos preços, enfim, em (quase) toda a economia.

Precisamos de uma política para o setor externo. Racional, firme, consequente, que nos leve a uma maior participação e reconhecimento no comércio mundial.

Vicente de Paula Oliveira
Economista

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