O urgente e o...


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É impressionante! Vi imagens do vandalismo no Rio, com um grupo de mascarados quebrando vitrines de lojas, destruindo agências bancárias, orelhões, bancas de jornal e placas e postes de sinalização no Leblon e Ipanema. Fizeram meu sangue ferver. Especialmente quando aparecem destruindo... bicicletas. Em seguida vi entrevista da cúpula da PM e Secretaria de Segurança Pateticamente, o comandante quase se desculpou com jornalistas pelo uso do gás lacrimogêneo. Ridículo. Comentei nas redes sociais. Esses vândalos não são manifestantes, estão a serviço de alguma causa. Estão errados. Não há o que justifique aquela destruição.

Chegaram comentários dizendo coisas como “você viu as imagens na Globo. Tá explicado”; “o ‘vandalismo’ foi provocado pela PM que massacrou e, subitamente, ‘se retirou’... deixando a massa sem controle agir”; “antes de emitir qualquer opinião baseada em mídias comprometidas com interesses escusos, é bom ver o que acontece de verdade nos locais de manifesto.”; “quem é o maior vândalo? Esses que estão nas ruas ou os políticos que roubam?”. As pessoas confundem urgente com importante e nem sequer compreendem que, assim, estão justificando a violência!

Urgente é o vandalismo, a violência. Os vândalos têm que ser parados, presos e condenados, não importa se são direita ou esquerda, pretos ou brancos, pobres ou ricos, flamenguistas ou vascaínos. Vandalismo é crise, é urgente pará-la! Importante é saber quem são os vândalos e a serviço de que causa estão. Sacou? Primeiro o urgente, parar a crise, e depois o importante, evitar que se repita. O urgente não exclui o importante. Um não invalida o outro.

É curioso. O sujeito é inteligente, sensato e. de repente. inverte as prioridades e a cena do “manifestante” (está ente aspas, viu? É uma ironia) mascarado que agride um fotógrafo não tem importância, pois foi mostrada pela Globo. O problema deixa de ser a agressão para ser a Globo. A cena de animais destruindo banca de jornal não quer dizer nada, pois eles foram provocados pela polícia. Quem reclama de vândalos é manipulado pela mídia. Esse raciocínio é igual àquele que culpa a vítima pelo estupro, pois ela usava roupas provocantes. O que causa essa espécie de estupidez seletiva é a soma de deslumbramento com ignorância. Deslumbramento com alguma demonstração de resistência de oprimidos anestesia o senso crítico, e a pessoa confunde seus filtros morais. O político rouba? Então justifica destruir a padaria.. A polícia reprime? Então é justo revidar com coquetel Molotov. A imprensa defende interesses? Então não acredite na imagem do sujeito quebrando vitrine. É manipulação. Pois é... Mas por mais manipulada que seja, o resultado é vitrine quebrada, banca queimada e fotógrafo agredido! É urgente parar isso!!

Existem limites que não podem ser ultrapassados, nem mesmo em nome de crimes que outros cometeram. Políticos roubam? Vamos infernizar a vida deles sem incendiar a cidade. Vamos fazer a cabeça de quem os elege para dar o troco. Vamos chamá-los de ladrões na cara deles. Vamos desmenti-los usando as mídias sociais. Mas não vamos roubar como eles! É preciso manter a capacidade de... putz. Quer saber? Se você não é um estúpido seletivo, não precisa ler este texto. Mas se é um deles, jamais entenderá o que estou escrevendo. To perdendo tempo.

Luciano Pires
Jornalista, escritor, palestrante e cartunista

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