“Vimos, por meio desta, informar-lhe que, a partir desta data, seus serviços nessa firma não serão mais necessários e que o aviso prévio lhe será indenizado na forma da lei”. Foram com essas palavras que a empresa Schio, proprietária da marca de calçados Tenny Wee, dispensou cerca de 270 funcionários em Franca na semana passada devido a uma queda na produção.
Em nota, o departamento de Recursos Humanos da Schio esclareceu que a empresa foi afetada por fatores “alheios ao controle de sua diretoria”, como recolhimento do mercado. Com isso, foi necessários cortar 270 posições, mas, por ora, não estão previstas novas demissões. Atualmente, o quadro de funcionários conta com 749 trabalhadores, com uma produção diária girando em torno de 3.800 pares.
O presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Fábio Cândido, explica que as demissões aconteceram por uma queda na produção, e que elas são pontuais, ou seja, não são reflexo de uma crise na indústria calçadista. Ele acrescenta que, em casos de demissões em massa, o protocolo é que as empresas avisem o Sindicato com antecedência, mas a Schio não fez isso. “Por causa da última greve [realizada em março deste ano], conseguimos na empresa 110 horas de PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e 10% de aumento, o que foi mais que a categoria conseguiu como um todo. Por isso, a Tenny Wee está em processo de ruptura com o Sindicato. É uma falta de democracia, porque a greve é um instrumento legal”, afirma Fábio.
A Schio negou a declaração de Fábio, afirmando que está aberta a todo e qualquer diálogo com a entidade. Nesta semana, representantes do Sindicato e da Schio deverão se reunir no Sindifranca, para discutir as demissões.
FUNCIONÁRIOS
A reportagem do Comércio visitou a fábrica da Tenny Wee, no Distrito Industrial, na manhã de ontem. No local, os funcionários afirmaram que o número de demissões oscilou entre 110 e 300.
“Houve cortes em todos os níveis, desde chefes de setores até faxineiras, e funcionários que trabalhavam aqui há dez anos. Tenho medo de a fábrica falir”, afirmou uma funcionária da fábrica, que preferiu não se identificar. “Há uns dez dias, o ritmo da fábrica diminuiu. Produzíamos, em média, 5 mil pares por dia, e hoje, são apenas 1.800”, completou outra trabalhadora.
Nos arredores da fábrica, também se encontravam pessoas que haviam sido demitidas, como a auxiliar de frequência Angélica Figueiredo, 27, que trabalhava na fábrica havia seis meses.
“Havia um comentário de que haveria demissões, mas só recebi a notícia na quarta-feira passada [24]. Eles não deram nenhuma justificativa, somente o aviso prévio.”
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.