Jesus nos ensina a rezar


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Durante a semana que passou, o que vimos, nos mais diversos momentos, foram pessoas rezando, cantando, louvando e bendizendo a Deus através da presença do papa Francisco, em sua primeira viagem internacional. Hoje, a Palavra de Deus vai nos ensinar ‘como’ rezar a partir da oração de Jesus oferecida a todos nós! Vejamos, portanto, os ensinamentos contidos nas leituras do dia: Gênesis 18; Colossenses 2, Lucas 11.

PRIMEIRA LEITURA — GÊNESIS, 18
Certo dia, diz a história, Deus revelou a Abraão que queria ir até Sodoma para verificar se era verdade o que se dizia sobre a maldade dos seus habitantes. Abraão, que tinha um sobrinho morando naquela cidade, fica preocupado e começa a interceder para que a cidade seja poupada por causa dos justos que moram nela. Dirige-se a Deus e fala de amigo para amigo. Sua oração não é a repetição de fórmulas decoradas ou lidas em livros, não é um ‘blá, blá, blá’ de palavras repetidas distraídamente, é diálogo espontâneo e sincero.
É assim que nós nos dirigimos a Deus? É assim que lhe abrimos o nosso coração? Se apreciamos a sua palavra, se cada dia meditamos o seu Evangelho, ele, enquanto rezamos, nos responde, enviando-nos a sua luz, indicando-nos o caminho a seguir, as escolhas a serem feitas, fazendo-nos sentir sua proximidade, e sua proteção, comunicando-nos a sua força.

SEGUNDA LEITURA — COLOSSENSES 2
Se nos arquivos de um juiz houvesse algum documento escrito que provasse nossas transgressões contra as leis do Estado, não ficaríamos sossegados. Afinal, um dia, esse documento poderia ser usado para a nossa condenação. Contra nós, diz S. Paulo, havia no céu um livro no qual estavam registradas todas as nossas ‘dívidas’, que eram, em verdade, muito elevadas. O que fez Jesus? Pegou este livro, picou-o em mil pedacinhos, pregou-o na cruz. Por isso, nós não devemos temer mais nada. No Batismo, nossa vida antiga, os nossos pecados, foram destruídos, e agora, ressuscitados com Cristo, vivemos uma vida totalmente nova.

EVANGELHO — LUCAS 11
Todos os que acreditam em Deus rezam, pertençam eles a que religião for. Rezam por quem está doente, por quem está desempregado, pelo filho que se deixou levar por más companhias, pelas famílias onde há discórdias. Pedem que Deus mande a chuva, que abençoe as colheitas, que afaste as infelicidades. Antigamente, os grupos religiosos se caracterizavam não só pelas verdades nas quais acreditavam e pelos mandamentos que observavam, mas também por oração que recitavam. Também o Batista tinha ensinado uma a seus discípulos. Um dia, os apóstolos se aproximam de Jesus e lhe pediram para ensinar também uma oração. ‘Eis a oração do Senhor’, dizem alguns cristãos, a mais bela de todas as nossas orações.
O Pai-nosso não é um fórmula de oração, superior às outras; é uma síntese de toda a mensagem cristã. Nas orações reflete-se o conteúdo da própria fé e a imagem do Deus no qual se acredita. Com efeito, não é suficiente rezar, é preciso também saber como rezar. Por isso Jesus a ensinou aos seus discípulos como modelo. Disse-lhes, ele:

‘Quando orardes, dizei: Pai’. O cristão sabe que seu Deus não é um patrão exigente, um juiz severo do qual se deve ter medo. O cristão não precisa de proteções ou de recomendações, vai diretamente a seu Deus, porque sabe que ele é Pai.
‘Santificado seja o vosso nome’. Nossos hinos, incensações, cerimônias solenes, nada dão a Deus. O seu nome é glorificado quando sua salvação alcança o homem. No Pai-nosso, manifestamos nosso anseio de contemplar o mais cedo possível esta sua presença salvadora em nós e nos mundo.
‘Venha o vosso Reino’. As nossas súplicas não modificam Deus, mas modificam o nosso coração e o tornam disponível para dar acolhida à sua salvação. A oração acelera de fato a santificação do nome de Deus e a vinda do seu Reino, porque transforma o coração do homem.
‘Dai-nos hoje o pão necessário ao nosso sustento’. O cristão precisa do pão, isto é, de todas as coisas necessárias para a vida: o alimento, a roupa, a casa, a saúde... A oração não é uma fórmula mágica que nos consegue gratuitamente, sem esforço e de forma milagrosa, tudo aquilo que desejamos. O milagre da oração é outro: lembra-nos que devemos procurar o ‘pão’ não só para nós mesmos, mas para todos, e nos comunica uma disposição e uma vontade renovadas para consegui-lo.
‘Perdoai-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos’. O cristão não pode esperar ser ouvido por Deus se não cultivar sentimentos de amor para com os irmãos. Não se trata só de esquecer o mal recebido: exige-se muito mais do cristão. Ele não pode fazer sua oração ao Pai se sabe que algum irmão tem alguma coisa contra ele e não fez tudo o que era possível para reconciliar-se.
‘E não nos deixei cair em tentação’. As aflições ou as perseguições podem nos fazer tropeçar ou entrar em crise; as preocupações da vida e a ilusão dos bens podem sufocar a semente da palavra de Deus.

Nós não só pedimos para não ceder a estas tentações, mas nem mesmo o ser tentados a abandonar o Mestre. A oração cristã nos ensina Jesus sempre é atendida. Mas a nossa experiência cristã aprece não confirmar esta afirmação. O motivo pelo qual nem sempre somos atendidos é simples: nós não sabemos orar. Orar significa sair das trevas dos nossos pensamentos e das nossas paixões para imergir-nos em Deus. Fora de nós tudo continua como antes, mas nós, não somos os mesmos. Ao transformar a nossa mente e o nosso coração, a oração alcançou o seu resultado... e foi atendida.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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