Mais fãs, melhor?


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Além da típica concorrência por market share, empresas têm entrado em outra disputa: a do número de fãs nas páginas de redes sociais. Afinal, ter número alto de fãs e seguidores é reflexo do sucesso da empresa? Se sim, isso garante bom resultado de marketing? A resposta para estas perguntas é não, e por um motivo simples: hoje é possível comprar seguidores.

A compra de fãs, amplamente divulgada com diversos ‘pacotes’, além de expressar número vazio, trata de uma questão mais grave, ilegal: o roubo de senhas. Quem nunca viu posts como ‘veja quem visitou seu perfil’? Pois é, ao clicar nesse tipo de link, o usuário está caindo em artimanha para capturar fãs sem sua permissão. Se não bastasse, os pacotes oferecidos para aumentar os ‘likes’ trazem outra desvantagem: de uma hora para outra, quando o ‘contrato’ termina, o número despenca, obrigando o dono da fan page a renovar o pacote ou comprar outro.

Para distinguir uma página bem trabalhada de outra, cujo sucesso é apenas aparente, além de posts frequentes e bem construídos visualmente, é preciso analisar a interatividade, objetivo único quando o assunto é mídia social. Não é bem sucedida a página cujo número de ‘curtidas’ ou ‘comentários’ é inexistente ou beira o zero, típico de quem tem uma fan page com fãs comprados. Aqui surge nova dúvida: como estimular a interatividade e o interesse pela página de sua empresa?

O primeiro passo é ter interatividade como foco. Empresários, ainda impregnados com as mídias ditas tradicionais (impressa, TV e rádio), decidem apenas por fazer a marca ‘aparecer’, sem realmente desejar criar vínculo duradouro e confiável com seu consumidor, abrindo, assim, o canal de comunicação para ele. Ouvir o consumidor agradecendo elogios não é, verdadeiramente, atender o cliente. A verdadeira interatividade inclui respeitar e responder queixas de forma transparente, esclarecer dúvidas especialmente nas mídias sociais, pois são o único lugar para criar relacionamento com seu público alvo e conhecê-lo verdadeiramente. Além disso, bom trabalho durante o atendimento a queixa será, certamente, viralizado, tornando a preocupação e eficácia da empresa um dos motivos para que futuros consumidores criem simpatia por seu produto.

Um funcionário ou uma agência especializada, dedicado a essa tarefa e comprometido com o objetivo da empresa é o segundo passo na construção de sua imagem nas mídias sociais. A partir daí, acompanhar e garantir que as divulgações de banner no Facebook (anúncio ou post patrocinado), por exemplo, seja feito de maneira a estimular a ‘curtida’ e não para ‘comprar’ um fã, desta forma fidelizando o possível consumidor. Um fã ‘comprado’ certamente irá ‘descurtir’ a página assim que perceber que foi vítima de compra, ao contrário do fã que, espontaneamente, decidiu acompanhar as postagens de uma marca.

Apesar de trabalhosa, a presença criativa e positiva de sua empresa nas mídias sociais é bastante simples: bom senso e interesse genuíno acabarão por refletir o sucesso da sua marca.

Tendo isso, o resto depende apenas de um bom planejamento estratégico de comunicação nessas redes. Vale a pena o esforço.

Acácia Lima
Jornalista e fundadora da YellowA, agência especializada em mídias sociais

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