Pronto há 2 anos, velório do Paulistano só foi usado ‘meia’ vez


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Prefeitura gasta mais de R$ 1,5 mil por mês no velório que não recebe mortos
Prefeitura gasta mais de R$ 1,5 mil por mês no velório que não recebe mortos

Salão vazio, cadeiras enfileiradas e empilhadas fazem parte do cenário do velório do Jardim Paulistano. Disponível para a população há quase dois anos, foi utilizado apenas uma vez. E ainda assim, o cerimônia foi interrompida. O presidente da Associação de Moradores do Parque Vicente Leporace, Nelson da Rocha Neves, que é responsável pela administração do velório, alega que a população tem medo do local onde o prédio foi construído.

Ele afirma que o único velório realizado no local foi interrompido depois de duas horas. “Os familiares solicitaram à funerária que removesse o corpo para o velório Santo Agostinho, devido a ameaças”, conta.

Apesar de morar perto do velório, a dona de casa Célia Cristina Ferreira nunca entrou no prédio. Ela avalia o local como “perigoso” e “escuro”. “Eu não aconselharia a colocar ninguém ali não. Eu mesma, da minha família, não poria ninguém.”

Mas o medo não é o único motivo que afasta os moradores do velório do Jardim Paulistano. Muitos nem sabem que o local está disponível para utilização. “Eu nem sabia que estava funcionando. Ninguém divulgou nada”, disse a diarista Ana Maria de Souza Marques, que mora a poucos metros do velório.

De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura, o local não foi oficialmente inaugurado, mas está disponível para utilização desde agosto de 2011.

O PRÉDIO
O velório do Jardim Paulistano tem um salão, uma copa e dois banheiros, além de espaço para estacionamento. Na construção foram gastos R$ 150 mil, dinheiro oriundo do governo estadual, com contrapartida do município.

Além desse valor, a Prefeitura repassa à entidade administradora mais de R$ 1,5 mil por mês. A associação diz que o dinheiro é utilizado para a manutenção do espaço, que inclui pagamento do zelador, água, energia e materiais de limpeza. “Mesmo sem ser utilizado, mantemos limpo e organizado”, afirma Neves.

Em nota, a Prefeitura informou que abriu um processo administrativo para definir se o convênio com a Associação terá continuidade ou não, já que o local não é utilizado pela população.

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