Há filmes que marcam. A trilogia de épicos – Os Dez Mandamentos, Ben Hur e El Cid – protagonizados em sequência por Charlton Heston, vi no cine São Luiz, de saudosa memória
Os comprei em DVD. Integram grande acervo que mantenho junto a meu filho Cassiano Lazarini de Lima - repórter fotográfico deste Comércio - aficcionados por cinema que somos. Os assisti em época na qual família ajustada, escola respeitada e religiosidade praticada com fé originavam cidadãos éticos e comprometidos com um mundo melhor e mais justo.
Foco, em Os Dez Mandamentos, dirigido por Cecil B. DeMille. Trata-se de uma das primeiras produções cinematográficas a utilizar milhares e milhares de figurantes reais. Não havia as facilidades de hoje que replicam em computador, poucos em milhares, milhões, se é o caso.
Neste filme, cenas grandiloquentes sedimentaram-se também pela força das músicas criadas especialmente para o filme, pelo maestro Elmer Bernstein. Há memória musical. Neste caso, ouvir de novo significa recordar, de imediato, as cenas da vida de Moisés, a quem Deus entregou tábuas de pedra com seus ‘Dez Mandamentos’.
Conto isso porque, ontem, ao buscar tema para a coluna de hoje, coloquei-me a pensar sobre o que restou, no mundo moderno, dos dez mandamentos originais. Surpreendi-me.
Chamei de ‘Dez Mandamentos Modernos’. Faço, aqui, uma despretensiosa ‘Edição Comentada’. Coloque de fundo, bem alta, e leia. Remeta a meu e-mail, luizneto@comerciodafranca.com.br, o que o exercício lhe permite pensar:
OS DEZ MANDAMENTOS MODERNOS (Clique aqui para ouvir a música)
1 - Ame você sobre todas as coisas e inveje o próximo que tem o que você ainda não tem.
2 - Defenda só o ‘seu quadrado’
(Que os outros se virem. Ema, ema, ema, cada um com seus ‘probrema’... Não permita que ninguém lhe dê ordens. Reaja com violência quando alguém o olhar feio. Fazer ‘justiça’ é ‘legítima defesa’! Há profissionais em leis que garantem isso. Você os paga. Eles o livram).
3 - Não se misture
(Não converse, não troque ideias com ninguém, não pratique companheirismo ou faça amizades duradouras. Quando estiver em família ou com com seus iguais, dedique-se ao telefone celular ou ao tablet. Moderno é se comunicar com quem está perto usando redes sociais, já que dá para enviar fotos, escrever em chat, ‘postar’ vídeos com sua cara, e o som de sua própria voz!).
4 - Sem vergonha, faça tudo o que você gosta
(Droga? Droga! Álcool? Álcool! Porrada? Porrada!!! Se alguém reclamar, seja lá quem for, dê mais porradas!).
5 - ‘Fique muito’, sem compromisso.
(Todo mundo, hoje, sai às ruas para fazer sexo. É bom, é fácil, dá muito prazer e todos e todas estão disponíveis e dispostos. Se houver alguma ‘pequena sequela’, tem a ‘pílula do dia seguinte’ ou o aborto.).
6 - Evite ‘pequenas sequelas’
(Se acontecer, é proibido contar com seu parceiro. Deixe para seus pais cuidarem. Se não toparem porque obedecem ao segundo mandamento, largue de mão. A natureza, ou o Estado, com suas escolas e cadeias; ou alguns otários - que ‘pecam’ contra o segundo mandamento -, vão cuidar para você).
7 - Dirija, no trânsito, sem preocupações
(Quem vem lá, ou, quem está do lado, que se vire. Você paga impostos e, então, a rua é sua. Não negocie ultrapassagens e ande devagar, que é mais seguro: se a velocidade máxima é 40, vá a 10 e aproveite para praticar o terceiro mandamento. Se estiver com pressa, corra. Se a rua em que está não é preferencial, pegue logo a preferencial sem medo, sem olhar. Os que lá estiverem circulando, que se virem. Eles que obedeçam o segundo mandamento).
8 - Eduque-se com seus pais
(‘Se for preso, vire-se’, ‘se engravidar, vire-se’, se ‘brigar, vire-se’. Sobretudo, não se esqueça da principal recomendação de seus pais: ‘aproveite a escola que tem merenda e gente para cuidar de você, mas não seja otário. Se lhe disserem que não lhe ensinamos nada em casa, dê porrada!).
9 - Valorize as leis que lhe servem
(As leis podem ser boas ou ruins, mas são as leis, e têm que ser cumpridas).
10 - Continue votando em gente boa igual a você, para que estes mandamentos continuem valendo
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br
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