Delegado indicia irmão de comerciante morto na Capiau


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Vista de área onde um policial alvejou e matou um comerciante com três tiros após confusão
Vista de área onde um policial alvejou e matou um comerciante com três tiros após confusão

A briga que terminou em morte na madrugada do dia 16 de julho na Morada du Capiau, uma casa noturna de música sertaneja no Residencial Amazonas, ganhou um novo personagem ontem. O mototaxista Heli Augusto dos Santos Filho, irmão do comerciante Elber César da Silva Santos, morto em frente ao estabelecimento, foi incluído no inquérito que tramita na DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Santos Filho foi indiciado por co-autoria em três tentativas de homicídio contra dois seguranças da casa e um policial militar que estava de folga e por porte ilegal de arma de fogo. Segundo a polícia, ele viajou de Ituverava a Franca para entregar ao irmão a arma usada por ele na ocasião.

“A esposa do comerciante morto confirmou em depoimento que ele (Elber César da Silva) ligou para o irmão pedindo que viesse até Franca na caminhonete. Quando chegou, o mototaxista entregou a arma ao menor que a levou para o comerciante”, disse o investigador Paulo Rodrigues, do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa da DIG. A afirmação do policial é baseada em relatos de testemunhas e na reconstituição realizada na segunda-feira, 22. Santos Filho, que prestou depoimento ontem, negou envolvimento, alegando que não sabia da existência da arma.

O mototaxista disse que após o pedido do irmão, viajou até Franca para pegá-lo, junto com a cunhada e um adolescente de 17 anos, funcionário de Elber. Em frente à Morada du Capiau, Ebinho, como era conhecido o comerciante, dono de uma casa de lanches na Praça 10 de Março, em Ituverava, teria se envolvido em nova confusão com seguranças. O menor, segundo ele, entrou na caminhonete, remexeu o interior e voltou onde estava Ebinho. Os dois saíram correndo atrás de dois homens e, segundos depois, ele ouviu tiros. Ao ir ao local, deparou-se com o irmão caído e uma pessoa teria lhe dito para ir embora. Assim, ele o fez, retornando a Ituverava.

“No depoimento que prestou, o menor disse que a arma lhe foi entregue por uma pessoa que tinha tatuagens e que esta pessoa estaria na caminhonete. Apuramos, com base em provas testemunhais, que no veículo só estavam Heli, Elber e o menor”, disse o policial Rodrigues. O delegado Márcio Garcia Murari, que preside o inquérito, com as provas colhidas, indiciou Santos Filho por co-autoria nas tentativas de homicídio e porte de arma. Ele responderá em liberdade.

O CASO
O incidente que terminou em morte ocorreu na madrugada do dia 16 de julho. O adolescente de 17 anos teve uma discussão com outra pessoa no interior da Morada e saiu na companhia de Ebinho no início da madrugada. Por volta das 4 horas, o comerciante discutiu com seguranças e teria pedido ao menor que pegasse um revólver em sua caminhonete. Ele atacou um dos homens da segurança com coronhadas e disparou duas vezes contra outros dois, errando os alvos.

A confusão foi presenciada por uma soldado da PM. Ele se aproximou, pediu para Ebinho largar a arma, mas este não obedeceu, e atirou contra o policial que estava de folga. Pela terceira vez, o ituveravense errou o tiro. O soldado, então, revidou com três tiros que atingiram o comerciante duas vezes no abdômen e uma no braço. O ferido foi socorrido, mas morreu quando era atendido na Santa Casa.

Na última segunda-feira foi realizada a reconstituição, que apurou que a versão do policial tem fundamento. “O policial militar envolvido, desde o princípio, foi muito claro em seu depoimento e a reconstituição confirmou isso”, disse, na ocasião, o delegado Murari.

O inquérito, que prossegue ainda sem previsão para conclusão, além de ter o mototaxista indiciado, recebeu ontem laudos da perícia. O documento com a assinatura de peritos do IC (Instituto de Criminalística) local comprovam que a arma que estava com Ebinho foi disparada três vezes.

“O revolver calibre 38 tinha dois projeteis intactos e outros três deflagrados. As testemunhas e o policial disseram que o comerciante efetuou três disparos. Com o laudo da perícia, fica comprovado que a arma de fato tinha vestígios recentes de três disparos”, lembrou Rodrigues.

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