Um mar de cerca de 200 mil fiéis protegidos com guarda-chuvas, sombrinhas, capas de plástico e enrolados em cobertores forrou ontem o pátio em frente à Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, a 537 quilômetros de Franca. O Comércio acompanhou uma das caravanas da cidade, que prestigiou a visita do papa Francisco ao Santuário Nacional da Padroeira do Brasil. O pontífice está no país desde segunda-feira para participar da Jornada Mundial da Juventude (leia mais no Caderno Brasil).
Os francanos se juntaram a outros paulistas, mineiros, piauienses, baianos, colombianos, peruanos e argentinos, conterrâneos do papa Francisco. E quem esteve em “terras aparecidas” enfrentou chuva e frio. Para o grupo de Franca, foram mais de seis horas de espera pela tão aguardada chegada do papa. Três ônibus deixaram a cidade, partindo da Paróquia Santo Antônio, às oito horas da gelada noite de terça-feira. O desembarque em Aparecida foi às 4 horas da madrugada.
O pontífice pousou de helicóptero na cidade, quando o relógio da Basílica marcava exatamente 10h11. Antes, o sobrevoo de dois helicópteros no local causou suspense. A multidão queria saber se transportavam o pontífice e qual deles seria. Enquanto isso, carros de segurança e o papamóvel, cercados por policiais e homens do Exército, faziam o percurso de Francisco.
Momentos antes da chegada, a chuva deu trégua. Os fiéis comentaram que tinham rezado para Santa Clara e o pedido deles tinha sido atendido. Mas quando o religioso pisou em Aparecida, chovia. Só que nem a água gelada desanimou os fiéis. Francisco foi recebido com músicas. Em coro, o público cantava “Francisco, Francisco, nós te acolhemos com amor. Francisco, Francisco, no abraço do Redentor”. Em alguns momentos com menos chuva, os fiéis balançavam no alto bandeirinhas de plástico com a foto do papa. Muitas, mas muitas mesmo.
Ao passar com o papamóvel, todos vibravam, gritavam e acenavam a mão para ele, mesmo sem enxergá-lo. Fiéis se emocionaram. O papa Francisco deixou sua assinatura na visita: distribuiu sorrisos e beijou crianças. Ele foi bastante fotografado. Máquinas, celulares e tablets entraram em ação para registrar e eternizar um momento histórico para o país e todos que ali estavam.
Após entrar na Basílica, o papa Francisco ganhou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Em seguida celebrou a Santa Missa. A cerimônia durou uma hora e meia. Franca esteve representada dentro da Basílica. O bispo emérito da cidade, dom Diógenes Silva Matthes, prestigiou a missa celebrada pelo papa. Esteve em Aparecida de cadeira de rodas. Ao final da missa, o papa beijou dom Diógenes.
O frei Alcimar Fioresi, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Capelinha), também representou os francanos na igreja. Ele concelebrou com o papa Francisco. Disse, emocionado, que viu o pontífice passar a um metro do lugar onde estava. Presenciou ao vivo cenas da TV. “Ele beijou as crianças, cumprimentou as pessoas, sempre muito humilde e carismático. É um dia histórico”, disse frei Alcimar, que fez um credenciamento prévio para ser autorizado a permanecer na Basílica durante a celebração presidida pelo papa Francisco.
EM FAMÍLIA
Na caravana de Franca, o funcionário público Marcelo Barbosa, 38, e sua mulher, a dona de casa Milena, 35, e as duas filhas pequenas Marcela, 5, e Meissa, 1, enfrentaram frio e chuva para ver ao vivo o papa Francisco. “Conseguimos vê-lo bem de perto na passagem final dele, e foi muito emocionante. Ouvir a minha filha gritar ‘Olha o papa, olha o papa’ foi muito bonito mesmo”, disse Marcelo. “Tinha o sonho de conhecer o papa e realizei.” Milena também deixou Aparecida satisfeita. “Minha filha vai ter esse dia de história para contar.”
Para a caçula, estar na visita do papa Francisco em Aparecida foi um presente de aniversário, segundo os pais. Melissa completou um ano na terça-feira, dia 23.
CARISMA NO DNA
Depois da missa, papa Francisco saiu da Basílica para abençoar o povo no lado externo. Com a imagem de Nossa Senhora Aparecida em mãos concedeu a benção final. Ao colocá-la no altar, também aplaudiu a santa, junto com a multidão.
Em tom bem humorado, mais uma vez, disse ao povo: “Eu não falo ‘brasileiro’. Vou falar em espanhol. Muchas gracias por estarem aqui, de coração”. Foi muito aplaudido. Todos gritavam, de forma linda: “Francisco, Francisco, Francisco!”. Ele pediu que rezassem por ele, porque ele necessita. E prometeu retornar ao Brasil em 2017, nas comemorações dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida.
QUEIXAS
O frio e a chuva castigaram os fiéis. A mínima registrada em Aparecida nesta quarta-feira foi de 4ºC. Quando os francanos chegaram, os termômetros marcavam 11ºC. Mas a sensação térmica era de mais frio. Capas de chuva foram compradas para ajudar a proteger. Os vendedores “brotavam” no trajeto até a Basílica, oferecendo o acessório. E ele foi muito útil.
Os presentes se queixaram da demora para que os portões fossem liberados e tivessem acesso ao ponto em frente à Basílica. Criticaram também a falta de informações precisas sobre os acessos no recinto por parte dos seguranças. Ainda houve registro de pessoas que passaram mal no meio da multidão e precisaram de atendimento médico.
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