Aproveitando um pouco mais o tempo de recreação que o mês de julho nos proporciona, voltamos ao economês, essa hermética linguagem dos economistas. Falávamos, no final das confabulações da última semana, sobre as elasticidades renda e preço da demanda, uma relação entre variações da renda, ou do preço, com a procura de um determinado produto. Detalhamentos e exemplos contribuirão para nos entendermos melhor.
Ensinam os mestres que ‘a elasticidade renda da procura mostra como as compras de qualquer bem por um consumidor se alteram como resultado da variação de sua renda’. Isto quer dizer que quando há um aumento ou diminuição na renda de uma pessoa, haverá uma sensibilidade na aquisição dos bens feito por ela.
A propósito, presentemente, fala-se muito que a renda do brasileiro aumentou, que a camada de classe média na população brasileira cresceu etc. As variações no consumo daí decorrentes nos lembra os chamados ‘bens inferiores’ ou ‘bens de Giffen’, situação em que a elasticidade é igual à zero. Quando a renda aumenta, deixamos de consumir margarina. Preferimos manteiga. Acontece ao contrário com os artigos de luxo.
Em legítimo economês, a elasticidade-preço, por sua vez, é uma variável dependente da elasticidade-renda e da elasticidade-substituição. O aumento da procura por um determinado bem provocado por uma diminuição de preço dependerá da proporção da renda gasta com esse produto. Faça o leitor um pequeno exercício com o consumo de sal (demanda inelástica) e o de artigos de luxo, como aparelhos de tevê ou automóveis de luxo (demanda elástica).
A liquidez, da qual falamos anteriormente, tem sua contrapartida na taxa de juros. De maneira simples, podemos dizer que os juros são o preço da renúncia à liquidez.
Se tivermos em casa, no pé de meia ou embaixo do colchão, o equivalente a R$1.000,00, somente iremos renunciar à sua posse se recebermos algo em troca, no caso os juros. Da mesma forma, o banqueiro para nos emprestar R$ 5.000,00 irá nos cobrar juros por nos transferir liquidez.
Mas, alto lá, caro leitor: os juros cobrados pelos banqueiros têm vários outros componentes: em primeiro lugar a remuneração pela renúncia à liquidez, depois, a reserva para a inadimplência, mais as despesas administrativas do Banco e, finalmente, o lucro do estabelecimento.
Os juros, como qualquer preço, depende da oferta e da procura monetária, aquela controlada pelas Autoridades Monetárias e esta, definida pelo mercado, tida como a chamada ‘preferência pela liquidez’. Entre nós, a taxa básica de juros configura uma importante ferramenta de política econômica, como se verá logo abaixo.
Liquidez e taxa de juros nos remete ao conceito de crédito. Todo mundo julga saber o que é crédito, pois, nos valemos dele em muitas ocasiões. Na verdade, trata-se de uma antecipação de poder de compra, normalmente fornecida pelos bancos.
Antecipação significa renúncia. Renúncia quer dizer custo. E este nos leva, novamente, aos juros. Uma baixa taxa de juros, promovida por decisão do BC, ou por excesso de oferta, exercerá efeito benéfico sobre o volume de investimentos na economia. Fazendo com que ela cresça e se desenvolva!
Vicente de Paula Oliveira
Economista
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