Ao aparecer com destaque na mídia nacional, a mineira (e vizinha) Capetinga, de apenas 9 mil habitantes, surgiu como exemplo negativo. O pequeno município abrigou um evento que, nesses novos tempos, imaginava não mais existir: uma aula de falta de ética política e de truques sujos para se ganhar uma eleição. Conforme o Comércio publicou em sua edição de ontem, o deputado federal Aelton Freitas (PR) dá instruções ao então candidato a prefeito daquele município, José Donizete Faleiros (DEM), sobre como comprar votos e difamar os políticos adversários. O vídeo mostrado na noite de domingo e depois exaustivamente nos diversos noticiários da Rede Globo, foi gravado em setembro de 2012, antes das eleições municipais.
Uma sucessão de ‘conselhos’ e ‘ensinamentos’, partindo de quem foi eleito para defender os interesses da população brasileira, se não enoja, pelo menos deixa estarrecidos aqueles que sempre defenderam que a prática política, principalmente em campanhas eleitorais, deve ser pautada pela ética e pela moral. Não é o que Aelton Freitas, que ainda não se manifestou, revela. Ao ensinar estratagemas para vencer o pleito, mostra desconhecer — ou, pelo menos, finge não saber — que vivemos hoje, todos nós, novos tempos. Cercado de fontes de informação (jornais, rádio, TV e Internet), o eleitor atualmente está mais interessado em propostas e sabe que se trocar seu voto por vantagens pessoais, pecuniárias ou não, joga fora a chance de patrocinar o progresso do País.
Como em toda a regra há exceções, existem ainda eleitores que buscam ‘dar-se bem’ com candidatos, aceitando toda e qualquer recompensa por seu voto. Foi-se o tempo em que bastavam jogos de camisa de futebol, calçados, cestas básicas ou até dentaduras para ser eleito. Hoje, o eleitor está melhor informado e preocupado com os rumos do País. Por isso, não se deixa facilmente seduzir por práticas desonestas ou escusas. Aquele que ainda segue esta cartilha retrógada merece, assim como o deputado Aelton Freitas, será investigado e condenado, caso sua culpa seja provada sem qualquer margem para dúvidas. O ex-candidato capetinguense José Donizete Faleiros disse que tudo não passou de brincadeira. ‘Sempre quis ganhar de maneira correta’, garante. Mas moradores de Capetinga dizem que este tipo de prática é corriqueiro nas campanhas eleitorais.
Perduram os que defendem atividades deste tipo (compra de votos e difamação de adversários) como válidas. Hoje, ao contrário do que disse a presidente Dilma Rousseff tempos atrás, não existe ‘vale tudo’ na campanha eleitoral. Deve-se ter preocupação com propostas, com a capacidade de atender aos anseios de seus eleitores que, no final das contas, são os mesmos contribuintes que pagam os salários dos ocupantes de cargos eletivos. Por isso, comprar votos acaba ficando ainda mais caro, porque cada vez menos brasileiros estão interessados em entregar os destinos de sua comunidade na mão daqueles que prometem tudo, muito menos ética. E, com a inexistência desta, dificilmente o País poderá progredir.
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