Com a pauta esvaziada, a sessão da Câmara Municipal desta terça-feira tinha tudo para ser tranquila. Não foi. Logo no período da manhã, a apresentação de uma moção de protesto contra o acordo firmado pela Prefeitura de Franca com a Empresa São José, que ignorou boa parte das exigências feitas no contrato de exploração do serviço de transporte público e ainda perdoou sucessivos descumprimentos de obrigações por parte da empresa, foi o estopim de uma série de bate-bocas - não apenas entre os vereadores -, mas envolvendo também populares. Depois no período da tarde, os ânimos se acalmaram. Com pressa para uma doação de sangue agendada, os vereadores adiaram a discussão de dois dos cinco projetos em votação.
Perto das 9h30, as discussões começaram. O vereador Laercinho (PP) foi o primeiro a usar a tribuna logo após a leitura da moção. “Voto contrário a essa moção. Não está nada provado. Acho que, se um acordo teve a participação do juiz, deve estar certo. Esse acordo foi feito pelo Joviano [Mendes, procurador geral do município] e tenho confiança nele. Para mim, essa moção é só para tumultuar. Uma moção que não vai beneficiar o povo.”
Em seguida, foi aberta a votação. Por 12 a 2, a moção foi rejeitada. Márcio do Flórida pediu a palavra. “Não falei antes porque sabia que todos aqui já têm uma opinião formada e não iriam mudar. Mas me estranha o Laercinho falar uma coisa dessas. Existe um acordo assinado - e que é objeto de investigação - que prejudicou a população mais carente. Lamento os 12 votos contrários à moção.”
O clima esquentou mesmo, quando Marco Garcia (PPS) decidiu também se manifestar. Ao subir na tribuna, começou um discurso enaltecendo os feitos da administração de Sidnei Rocha (PSDB) e Alexandre Ferreira (PSDB), foi vaiado e não se conteve. “Você que me ataca agora é um perdedor. Se a carapuça serviu, atola ela. Disputou a eleição e não ganhou. Para estar aqui no meu lugar, tem que ter 3 mil votos. Você não teve nem metade disso, derrotado”, disse dirigindo-se a Carlos Amorim, um dos membros do Movimento Vem pra Rua Franca, que acompanhava a sessão.
Carlos pediu para usar a tribuna para se defender. Mas recebeu como resposta do presidente da Câmara, Jépy Pereira (PSDB), que não poderia porque não havia se inscrito para tal com antecedência. “Precisamos cumprir o Regimento Interno que impõe regras para o uso da Tribuna. Temos aberto muitas exceções e estou sendo cobrado por isso. Agora só admitiremos quem se inscrever.” Amorim desistiu de falar.
Depois mais uma discussão. Desta vez, entre Márcio do Flórida e Marco Garcia. O primeiro defendendo a administração petista do governo federal e o segundo atacando o PT e defendendo a administração local. Os ânimos só se acalmaram depois que Jépy Pereira interveio e pediu para os vereadores se aterem às matérias em discussão.
Com tanta confusão, a sessão da manhã se encerrou apenas às 12h35.
À tarde, ao voltar aos trabalhos para a votação dos projetos de lei, os ânimos estavam bem mais calmos. Um projeto de autoria do prefeito deu entrada em regime de urgência. Alexandre Ferreira pediu o remanejamento de R$ 4 milhões para as obras de revitalização do córrego do Engenho Queimado, na região da Vila São Sebastião. A matéria foi aprovada por unanimidade.
Depois os outros dois projetos mais importantes acabaram adiados. O que prevê limite de horário para shows ao ar livre, de autoria de Jépy, foi adiado por quatro sessões para que possa ser discutido com a população. O outro, de autoria de Josivaldo Bahia e que prevê a reserva de imóveis para deficientes no programa Minha Casa Minha Vida, também foi adiado.
As demais matérias sem grande relevância foram aprovadas. Depois de encerrada a sessão, os vereadores foram doar sangue no Hemocentro.
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