A auxiliar de limpeza Gisele Caetano da Silva, 27, não hesitou ao descobrir que o Voyage Preto que partia da sede da Cooperfran (Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Franca), no Distrito Industrial, levava, como fruto de um assalto na última sexta-feira, 19, os R$ 16 mil correspondentes às quinzenas dos trabalhadores da cooperativa. Mesmo com os bandidos estando armados, ela partiu em disparada, tentando alcançar o veículo e, de alguma forma, recuperar o dinheiro roubado. “Na hora, a gente não pensa em nada. Sabendo que roubaram o nosso dinheiro, dá um nervoso, um desespero. Só que eu não dei conta. Se tivesse mais força, teria corrido mais. Trabalho o mês inteiro, levanto às 5 horas da manhã, e ainda acontece essa tragédia com a gente”, queixa-se.
A tentativa desesperada de Gisele mostra o quanto os 40 cooperados da unidade de recolhimento de recicláveis necessitam dos R$ 400 que recebem a cada quinzena. Agora, sem dinheiro pelas próximas duas semanas, os cooperados estão passando necessidades - eles estão com dificuldade, principalmente, de pagar as contas do mês - e pedem a ajuda da população. A presidente da Cooperfran, Diana de Bastos Guedes, informa que a organização aceita doação de alimentos e cestas básicas. Eles podem ser entregues na cooperativa, localizada na avenida Santos Dumont, 5.665, no Distrito Industrial, onde ficava a Colifran. Ela funciona de segunda a sexta-feira, das 7 horas às 16h30.
“Os cooperados são todos pessoas de baixa renda. Trabalhamos para pagar aluguel e nos manter. Temos mães solteiras e idosos que trabalham aqui, e muitos dos nossos cooperados são a única fonte de renda das suas famílias. O rombo foi muito forte na vida de todo mundo”, afirma Diana.
Uma das trabalhadoras que está numa situação precária é justamente Gisele. “Já cortaram minha luz ontem [segunda-feira]. Também tenho dois filhos pequenos, um de 1 ano e outro de 5, que pedem coisas que eu não posso comprar. Essas semanas vão ser difíceis para mim”, afirma a auxiliar. “Eu não tenho outro bico por fora, então preciso do salário. Tenho cartão, água e luz para pagar, além da comida”, completa o manobrista Luiz Antonio da Silva, 57.
Para mais informações, o telefone para contato da Cooperfran é (16) 9131-7613.
O CRIME
De acordo com a secretária da Cooperfran (e uma das cooperadas) Adriana Sousa, 39, o assalto que ocorreu na última sexta-feira não durou mais do que três minutos, mas foi o suficiente para deixá-la aterrorizada. “Eles estavam em quatro. Dois ficaram no carro, e os outros dois usaram revólveres. Durante o assalto, eles colocaram as armas na minha cabeça e na da Diana. Eu fique em choque, muito desesperada mesmo”, diz. “Precisamos do dinheiro. Eu moro sozinha com minhas filhas, e preciso da quinzena para pagar meu aluguel. Todo mundo aqui está passando necessidade.”
O investigador da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Régis Stefani, afirmou que não pode dar detalhes sobre o caso por ele estar em aberto, mas explicou que ainda está sendo investigado.
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