A figura da mulher no comando de uma empresa deve se tornar cada vez mais comum em Franca. Segundo dados do projeto MEI (Microempreendedor Individual), elas já representam quase metade dos microempreendedores da cidade. Dos 6.777 profissionais inscritos atualmente no programa, 3.126 - cerca de 46% - são do sexo feminino. O responsável pela Sala do Empreendedor em Franca, Deyvid Silveira, estima que a participação feminina no MEI era de 15% há dez anos.
Dados do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) divulgados neste mês também confirmam a expansão da presença das mulheres na liderança de empreendimentos no Estado de São Paulo. Em 2000, a participação delas no mundo corporativo era de 42%, e, daqui a sete anos, o número deve chegar a 49%, quase se equiparando à participação masculina. No mesmo período, o setor de empreendedoras sem empregados deve subir de 32% para 47%, e aquelas com funcionários passar de 24% para 42%.
A gerente comercial do Sebrae de Franca, Iroá Arantes, afirma que dois fatores ajudam a explicar o aumento no número de mulheres em posição de liderança: a sua inserção crescente no mercado de trabalho e um maior acesso à educação. “A mulher tem cada vez mais necessidade de gerar renda, chegando, muitas vezes, a ter a fonte principal de renda do seu núcleo familiar”, disse Iroá.
Para a gerente, uma quantidade cada vez maior de mulheres empreendedoras causam impactos positivos no mundo corporativo. “Elas estão reestruturando a forma de condução dos negócios. A mulher, enquanto empreendedora, tem o diferencial de humanizar as relações trabalhistas.”
Quanto às estatísticas do MEI, Deyvid confirma que há mais mulheres no ambiente empresarial do que dez anos atrás, mas também chama a atenção para o fato de que muitas mulheres já eram microempreendedoras antes de aderirem ao programa. “Por exemplo, muitas cabeleireiras já tinham seus salões, mas por serem informais, não entravam na base de dados de empresas existentes. Quando o MEI foi criado, em julho de 2009, ele possibilitou que essas empreendedoras se regularizassem”, disse ele.
Segundo dados do MEI, os setores mais comuns onde elas atuam são no comércio de roupas, salões de cabeleireiro e outros locais para tratamento de beleza, confecção de roupas sob medida e lanchonetes (veja quadro nesta página).
RETORNO
Uma das francanas que reforçam esta tendência é a microempresária Marli Castro Lanza, 62. Ela é a proprietária da firma Khromo Brindes há mais de vinte anos. Trabalhando sozinha, ele personaliza diversos tipos de brindes, como canetas, chaveiros, squeezes, cadernos e até itens mais inusitados como pen drives e jogos de xadrez e dama. “Faço toda a arte e o desenvolvimento do produtos, além da venda e entrega deles. Com o meu negócio, consegui mais amigos do que dinheiro, mas estou satisfeita. Ele me dá tanto retorno financeiro quanto pessoal. Não sou ambiciosa, mas gosto de trabalhar. Amo o que faço, principalmente trabalhar a arte dos brindes”, afirma.
Ela é “sua própria patroa” desde os 19 anos, quando montou seu primeiro negócio. Com a experiência de tantos anos de autonomia, Marli revela que nunca teve dificuldades no ramo empresarial por ser mulher. “Sempre fui muito bem recebida por todos, e nunca sofri preconceito”, afirma.
Ela afirma que já teve muitas oportunidades de crescer, mas encontrou dificuldades de contratar funcionários com capacidade para realizar o trabalho customizado oferecido por sua empresa. “Não posso nem fazer propaganda do meu negócio, senão não darei conta da demanda”, disse.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.