Seis e meia de domingo, dia 14. Um telefonema interrompeu o sono da dona de casa Fátima Aparecida Pardinho Ferreira, 43, de Altinópolis. Do outro lado da linha, uma pessoa disse: “Aconteceu um acidente. Era um Gol preto, bateram de frente e todo mundo foi carbonizado.” Fátima, imediatamente, foi ao quarto filha, a balconista Fernanda Márcia Ferreira, de 22, e não a encontrou. “Naquela hora, eu desmontei, perdi os sentidos”, disse a mãe, com a voz embargada.
Duas horas antes, Fernanda estava no carro que bateu de frente com um caminhão de cana-de-açúcar na rodovia Altino Arantes. Ela voltava de carona da Festa do Leite de Batatais, acompanhada da prima Ester Pardinho, 14; da amiga Ana Laura Trevisan, 15; e do motorista Lucas Caetano Nascimento, 22, de Batatais, com quem começava um namoro. Todos morreram carbonizados com o impacto e a explosão do carro.
Na última quinta, Fátima parecia forte ao falar sobre a tragédia com o Comércio. O último sorriso e o último diálogo com a filha foi o que ficou gravado em sua memória. “No dia, falei com minha filha, ela riu, jogou o cabelo para o lado e disse: ‘olha como meu cabelo está grande’. O que tenho em mente é só aquele sorriso, aquela felicidade dela e da minha sobrinha também.”
Com a morte de Fernanda, a dona de casa ganhou mais um filho: Gustavo, de 5 anos, filho da balconista. O garoto conta com a avó para ser educado, já que seu pai é “distante”.
Fátima precisou ir a Batatais na última quarta-feira. Quase chorou ao lembrar da tragédia de domingo. A dona de casa contou que seu marido, o caminhoneiro Geraldo Ferreira, 49, sofreu um acidente no mesmo trecho, entre Batatais e Altinópolis, há três anos, mas sobreviveu. “Daí você pensa nas outras pessoas que já morreram nessa estrada. É muita gente. Se eu pudesse, eu não passava mais [pela rodovia]. Se eu pudesse fazer outro trajeto, eu faria”, afirmou.
Além do marido caminhoneiro, o filho mais velho passa pela Altino Arantes todo dia, de moto. “Sinto que, de agora para frente, vou sofrer mais ainda. Cada momento que eles saírem de casa será meu sofrimento. Eles têm que ligar na hora que chegam e saem, tenho todos os horários e se passa um segundo já sofro. Imagina agora...”, disse, emocionada.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.