Altino Arantes mata mais que homicídios nas seis cidades que ela corta


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Imagem mostra trecho da rodovia Altino Arantes, entre Batatais e Sales Oliveira. Estrada reta some no horizonte e reúne vários pontos cegos
Imagem mostra trecho da rodovia Altino Arantes, entre Batatais e Sales Oliveira. Estrada reta some no horizonte e reúne vários pontos cegos

Na retidão dos 83 quilômetros da rodovia Altino Arantes, entre a divisa do Estado de São Paulo com Minas Gerais e Orlândia, o horizonte parece “engolir” o asfalto. O caminho é incerto. É como se o motorista não soubesse onde está indo ou se vai chegar ao seu destino. Cruzes e pedaços estraçalhados de carros às margens da pista deixam um aviso. Naquele pedaço de asfalto, muita gente já sofreu, seja pagando com a própria vida ou ao ver um ente querido partir.

A Altino Arantes ganhou o apelido de “rodovia da morte”. É assim conhecida entre os mais de 135 mil habitantes dos seis municípios - Santo Antônio da Alegria; Altinópolis; Batatais; Sales Oliveira; Nuporanga e Orlândia - que corta. E não é à toa. Segundo dados do 3º Batalhão de Polícia Rodoviária, 41 pessoas morreram em acidentes na região no intervalo de quatro anos e meio, entre janeiro de 2009 e 15 de julho deste ano. Foram colisões, atropelamentos e quedas, envolvendo todos os tipos de veículos. O número pode ser ainda maior já que a polícia contabiliza apenas mortes instantâneas ou óbitos confirmados até o fim do registro da ocorrência na Polícia Civil.

No mesmo período, ainda segundo a polícia, 726 acidentes aconteceram entre Minas e Orlândia, sendo 282 com vítimas; 81 se feriram com gravidade e algumas podem não ter se recuperado.

Quem tem amigos ou parentes que precisam transitar pela rodovia, seja a trabalho ou a passeio, sofre com a angústia da espera pelo retorno. Sempre. E os números justificam o medo. Juntando todos os homicídios das seis cidades transpassadas pela rodovia, entre 2009 e 30 de junho deste ano, somam-se 36 mortos, segundo estatísticas da Secretaria de Segurança Pública. Cinco a menos que as vítimas da rodovia.

Muitos se perguntam: por que tantas pessoas morrem na via? O asfalto da estrada foi recentemente recapeado e vários trechos ganharam faixas adicionais. As autoridades colocam a imprudência dos motoristas como principal causa das mortes.

TRAGÉDIAS
Na madrugada de domingo, 14, os moradores de Batatais e Altinópolis ficaram abalados. Um Gol colidiu frontalmente com um caminhão de cana-de-açúcar no Km 36. O veículo incendiou. O motorista do caminhão escapou ileso, mas em estado choque. Dentro do carro estavam o batataense Lucas Nascimento, 22, condutor do veículo; e Fernanda Ferreira, 22; Ester Pardinho, 14; e Ana Laura Trevisan, 15, moradoras de Altinópolis. Todos morreram carbonizados. O acidente aconteceu em um dos raros trechos de curva. E o local proporcionou uma triste coincidência. Em frente ao ponto onde o automóvel pegou fogo, há uma cruz com o nome de Milena das Graças Aparecida, morta em um acidente, no mesmo local, em 2005, aos 15 anos.

O luto ainda pairava nas cidades, na segunda-feira, quando dois francanos também morreram carbonizados após outra colisão frontal seguida de incêndio. Adelson da Silva, 35, conduzia um Fiat Uno na companhia de Eliseu da Silva, 28, quando bateu em um Gol no Km 47, a poucos quilômetros do local em que morreram os quatro jovens um dia antes.

MOVIMENTADA
A estrada tem movimento intenso. É um dos caminhos preferidos de quem vai a São Sebastião do Paraíso (MG), já que não tem pedágios. Segundo dados do DER (Departamento de Estradas de Rodagem), o fluxo nos 83 quilômetros entre Minas e Orlândia, em 2011, era em média de 3.600 veículos por dia. No trecho de pista simples da Cândido Portinari, entre Franca e Rifaina, passavam 4.600, mil veículos a mais. Mesmo assim, a média de acidentes fatais é menor na Portinari: 16 pessoas morreram nos últimos dois anos e meio - seis por ano em média. Índice abaixo do registrado na Altino Arantes, que tem oito por ano.

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