Nosso Pai


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A história bíblica nos dá conta de que a revelação mosaica ocorreu por volta de 1500 anos antes de Jesus e que Moisés era filho adotivo do faraó que imperava no Egito, onde, então, achava-se escravizado o povo hebreu, que para ali fora levado desde o tempo de José e seus irmãos.

Nascido de israelitas, que não podiam ter filho homem e viviam toda sorte de privações e sofrimento impostos pelos dominadores que detinham o direito de vida e morte sobre a massa escrava, ainda bebê, o futuro libertador do povo hebreu foi colocado sobre as águas do rio Nilo, num cesto de vime, numa tentativa de sua mãe de preservar-lhe a vida.

Mais tarde, tendo descoberto a própria origem, Moisés torna-se líder do seu povo, após ouvir a manifestação de Deus quando pastoreava seu rebanho, promovendo a liberação dos hebreus do jugo egípcio, numa história cheia de lances épicos e prenhe de manifestações da divindade.

Ao receber as tábuas da Lei no Monte Sinai, apresenta a seu povo um Deus guerreiro, dono, patrão, cheio de ira e de partidarismo. Um Deus que, sendo único, portanto criador de todos, tinha preferência por um povo em detrimento dos demais.

Moisés conduz os hebreus durante 40 anos até as proximidades da Canaã prometida por Jehova, onde ele mesmo não chegou a entrar, por haver falecido antes.

Quem lhe completou a tarefa foi seu irmão Aarão, dando àquele povo, finalmente, uma terra para viver.

Decorridos quase 15 séculos, para uma humanidade já melhorada pela força dos ensinamentos de Moisés, eis quer surge Jesus, considerado o Salvador prometido por Deus, a plena pregação e vivência do amor divino sobre a Terra. Seus ensinos são vazados na mais pura caridade, isto é, o amor na prática. Tome-se como exemplo a parábola do ‘Bom Samaritano’ e se verificará o quanto o Mestre considerava a caridade como a lei maior do seu ministério.

E quando os seus discípulos lhe pediram que os ensinasse a orar, suas primeiras palavras foram: ‘Pai Nosso’, numa demonstração eloquente da Paternidade Divina. Não mais a exclusividade de um povo, mas, indubitavelmente, a universal paternidade de Deus, tornando-nos, todos, por isso mesmo, verdadeiros irmãos.

Se falamos e aceitamos que Deus é nosso Pai, pleno de misericórdia, sabedoria e justiça, não há porque nos desesperarmos em qualquer situação, posto que aquelas são a manifestação dos Seus atributos.

Se Moisés foi o libertador e o legislador, porquanto o representante divino sobre a Terra, a aplicar perante um povo as leis de que foi intérprete com palavras e atitudes enérgicas segundo a necessidade dos que o seguiram, Jesus, veio, mais tarde, a ser o Mestre e o guia a apresentar-nos, a todos, sem fronteiras, a vereda iluminada da libertação: ‘Eu sou o caminho, a verdade, a vida. Ninguém vai ao Reino de Deus senão por mim’.

Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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