Um crime chocante


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Uma das mais chocantes notícias publicadas nos últimos tempos pelo Comércio causou verdadeira comoção na cidade, embora não tenha acontecido aqui. O pintor de letreiros Michael Douglas Amadio, 20, foi preso no final da noite de quarta-feira acusado de matar os avós maternos a facadas. O crime ocorreu em São Sebastião do Paraíso (MG). Segundo a polícia, o rapaz assassinou o motorista aposentado Amélio Renato Amadio, 68, e a sua mulher Maria Isabel, 68, para roubar o carro deles e pagar dívidas de drogas. Deve-se ressaltar que o rapaz foi criado pelo casal que matou a golpes de faca, numa brutalidade e frieza que levantam mais uma vez a questão do vício em drogas.

Não há como, diante de um fato como este, ficar contra a internação compulsória do dependente em entorpecentes. O crime, além de apontar para a torpeza do seu autor e do traficante que sugeriu a morte dos idosos, deixa claro que as drogas não prejudicam apenas o viciado, mas também todos aqueles que o cercam, que passam a viver sob um risco permanente. Quem se deixou dominar por entorpecentes como o crack perde totalmente o sentido de decência, moral e a capacidade de discernir entre o bem e o mal. Torna-se um autômato que só se preocupa com a próxima dose, nem que para isso seja necessário roubar, ferir, mutilar ou matar. É só a droga que importa.

Enquanto houver defensores apenas do internamento voluntário estaremos condenados a acompanhar fatos como o registrado em São Sebastião do Paraíso de mãos atadas. Enquanto o Código Penal não receber uma atualização urgente, contemplando crimes com penas realistas, não se fará Justiça verdadeiramente neste País. Porque, mesmo diante deste crime hediondo, se condenado, Michael Douglas não deverá ficar mais de 30 anos na cadeia. Porém, um elemento capaz de esfaquear várias vezes os avós que o criaram merece ser sumariamente retirado do convívio da sociedade. Não merece viver entre os seres humanos, já que pertence à categoria dos monstros que se multiplicam na crônica policial. Espera-se, agora, que ele tenha a prisão preventiva decretada e fique trancafiado desde já. Não pode nem merece aguardar o julgamento em liberdade.

O que não se viu até agora foram os defensores dos direitos humanos, que só se manifestam em defesa de marginais, irem a público lamentar a barbárie cometida contra dois sexagenários que estavam dormindo. Não apareceu até agora alguém que consiga explicar de forma convincente sua posição contra a internação compulsória de viciados. O que não se entende, ainda hoje, é como que há quem considere assassinos hediondos como uma ‘vítima do sistema’. Em razão de sua ação, pode-se dizer que é o contrário: o sistema é que vem sendo vítima destes bandidos que, mesmo após a prisão, não apresentam nenhum remorso de seus atos. Por isso, não merecem complacência ou pena. Nem se beneficiar de disposições legais que lhe reduzam o tempo na cadeia. Merecem, sim, prisão perpétua.

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