Ciclofaixa


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Minha mulher e filha trouxeram-me a informação tão logo a Prefeitura iniciou sinalização de solo na Presidente Vargas, esta semana

As pistas de rolamentos de trânsito mais próximas ao canteiro central da avenida Presidente Vargas, entre o pontilhão do cruzamento com a avenida Hélio Palermo e a praça João Mendes, estavam sendo demarcadas para tornarem-se, a partir de amanhã, domingo, primeira ciclofaixa da cidade.

Como a Prefeitura fez sem antes informar aos munícipes, corri ao secretário Buranelli, do serviço de cidadania e trânsito municipal. Solicito como sempre, esclareceu-me ter a cidade, hoje, cerca de 100 mil bicicletas. Estamos desenhando, disse ele, a primeira ciclofaixa do município, e vamos abrir para uso aos domingos, entre 7 horas e meio-dia, incentivando a prática do ciclismo como atividade física e estimulando, quem sabe, o gosto por deslocamento cidadão em bicicletas, forma de mobilidade que não polui e pode garantir, ao longo do tempo, condições melhores para nosso trânsito, extremamente congestionado.

Bem pensado. Nos dias seguintes, o serviço que ele coordena terminava também de instalar sinalização aérea, indicando que o espaço, nos finais de semana, é de ciclistas. O secretário também disse que, nestes dias, demarcará o percurso com cones, para garantir que o espaço não seja invadido pelos desinformados.

Ótimo. Torço para que o francano aproveite a oportunidade e pedale, respire, conviva com outros ciclistas, tudo em prol da própria saúde e de uma cidade de trânsito mais humano. Não posso evitar, no entanto, pensar nos péssimos motoristas que nos fazem campeões de acidentes com feridos e mortos, um inferno real de doidos e destrambelhados. Há gente que pisa no acelerador quanto tem que pisar no freio. Há incontáveis que jamais olharam para placas de sinalização, primeiro, porque dirigem confiantes que são os melhores do mundo; e, pior, porque, mesmo ce-ene-agá autorizados, não sabem lê-las – tristes estatísticas de trânsito não permitem dúvidas: invariavelmente ocorrem acidentes porque os envolvidos não observam sinais de paradas obrigatórias, sinalizações de solo, faixas de pedestres, vias preferenciais e etcetera.

Haverá quem vai invadir a ciclofaixa e estacionar(!), para comprar o Comércio do domingo; haverá quem (inadvertidamente!) esbarrará nos cones ‘porque quem vinha ao lado o fechou’. E haverá quem, cidadania nenhuma, reclamará por terem tirado pistas de rolamento da avenida... Isso, que escrevo, pode lembrar as previsões de Pracuch, nosso saudoso analista do setor coureiro-calçadista, sempre acusado de catastrofista. Ainda assim, confiante na ruindade de tantos que, a cada dia contribuem para engrossar as estatísticas do péssimo trânsito francano, não apago estas linhas e as publico: respeitem os ciclistas! Se for possível, tirem, vocês próprios, as bicicletas que enferrujam em casa, e vão para a rua se exercitar, praticar convivência e solidariedade. Quem sabe, seja esse ‘bicicletismo’, a ferramenta capaz de construir a paz no trânsito que hoje, é quase um mito nesta cidade.

Conforme me disse Buranelli, ‘É a primeira faixa. Vamos analisar os resultados. Dando certo, ampliaremos para outros corredores da cidade’. Onde é mesmo que pus a minha Monark?

FALO E PROVO
Quem não tem informação, não lidera, é conduzido, jamais será protagonista. Transmito essa verdade a meus treinandos em expressão verbal e gestual, e já faz tempo. No mundo moderno, viver sem informação é manter-se à margem. Nada pior do que só ver novela, não ler jornal, dedicar-se só a jogos eletrônicos, não saber o que está acontecendo em volta de si próprio. A ciclofaixa da Presidente Vargas pode ser utilizada como faixa de rolamento de veículos nos dias restantes! Não está demarcada para ônibus, ambulâncias ou bombeiros como pensa quem não está nem ai. Desemburreça! Leia, ouça rádio, assista telejornais, vá ao portal GCN.net ou a quaisquer sites de Internet que contenham informação! Depois, não vá dizer que Francisco, o Papa, sabe quem?, veio ao Brasil e você nem ficou sabendo. Está bem. Brinquei e você acreditou: Francisco chega dia 22, depois de amanhã, e quer se aproximar de pessoas comuns, especialmente as bem informadas. Quanto às outras, rezará por elas!!!

SÃO BURANELLI
No Holanda, ministro e autoridades vão de bicicleta ao trabalho. E bicicleteiam de terno, de pesados sobretudos, pastas de trabalho presas à garupeira ou alocadas em suporte à frente do guidão. Em vários países, famílias passeiam em bicicletas triplas ou quádruplas. Aqui no Brasil, diz-se que isso é brega, coisa de pobre, de quem quer aparecer! Em Franca, bicicleta é considerada veículo de quem trabalha em fábrica e não tem um mínimo para ter moto ou carro, mesmo usado. Tomara que São Buranelli opere o milagre. Bicicleta pilotada por gente consciente pode ser a bandeira da paz no trânsito que tanto precisamos!

CENAS DO COTIDIANO
Meu leitor Toninho Verzola, tradicional empresário de materiais de construção em Franca, testemunhou, nas imediações de sua loja no Jardim Aeroporto I, dois momentos do infernal trânsito local. No primeiro, motociclista mais velho pegou areia no asfalto e estatelou-se no chão. Um praticante de caminhada, que viu o acidente, correu para socorrer. Perceberam ambos, assustados, que aproximava-se caminhonete à toda. Fizeram sinal para que diminiuisse a velocidade, mas não. Passou ‘triscando e saudando’ os dois: ‘vão tomar..., seus velhos fdf’. Os dois disseram: ‘Deus o acompanhe!’. Dias depois, um motorista atropelou um cãozinho como se fosse um saco de lixo qualquer, e nem diminuiu a velocidade. Desapareceu. Criança, dona do animal, viu tudo, e acompanhou o fim da vida de seu companheirinho. Desconsolado, ouviu de seu pai: ‘é triste mas aprenda, meu filho. É com esses ai que você vai conviver quando crescer’. Relativize, Toninho. Ainda somos o Pais da impunidade, mas, há uma luz nova nascendo no horizonte.

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

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