PF encontra trabalho ‘escravo’ em Itirapuã


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Alojamento em fazenda de café de Itirapuã, que abrigava em situação precária trabalhadores da Bahia
Alojamento em fazenda de café de Itirapuã, que abrigava em situação precária trabalhadores da Bahia

Dois homens foram presos na noite da última quinta-feira, dia 18, em Itirapuã acusados de manter trabalhadores em condições análogas à escravidão. A prisão ocorreu durante fiscalização em uma fazenda produtora de café, onde 28 pessoas foram encontradas em situação degradante. No local não havia banheiros, as instalações eram inadequadas para o preparo de alimento e alguns trabalhadores dormiam em camas forradas com papelão. A operação foi realizada em conjunto pelo Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego e Polícia Federal.

Os homens presos são o dono da fazenda e o capataz, responsável por trazer os empregados para a propriedade. Segundo a assessoria do MPT, os trabalhadores vieram de Julião na Bahia (distante 1.140 quilômetros de Itirapuã) e estariam há quase um mês no local em condições contrárias às prometidas no momento da contratação. “A maioria era homens, mas também tinha algumas mulheres e uma criança de seis anos. Eles vieram para trabalhar na colheita de café e receberiam R$ 100 por dia, mas desde a chegada não receberam nenhuma remuneração”, disse a procuradora do Ministério Público do Trabalho, Regina Duarte da Silva, que acompanhou a ação.

Ainda de acordo com a procuradora, os trabalhadores estavam alojados em uma casa e um barracão, não tinham água potável para consumo, preparavam os alimentos em fogareiros ou fogões improvisados e eram obrigados a fazerem suas necessidades em meio à plantação. Alguns trabalhadores ainda dormiam em camas forradas com papelão instaladas próximas a tambores plásticos com agrotóxicos.

“A denúncia foi recebida pelo Sindicato dos Empregados Rurais que nos contatou, nós comunicamos o Ministério do Trabalho e acionamos a Polícia Federal, que constatou o crime. No momento da abordagem, o proprietário estava no local e confirmou que tinha ciência de tudo.” A procuradora esclareceu também que os trabalhadores só não tinham vigia armada, porém, eram impedidos de sair da propriedade em razão da ausência de recursos.

A Polícia Federal informou que os dois homens foram indiciados pela prática do crime de redução a condição análoga à de escravo, cuja pena é de dois a oito anos de reclusão. Após a operação, eles foram levados para a sede da PF em Ribeirão Preto.

Os trabalhadores foram transferidos para um hotel em Franca, onde permanecerão aguardando trâmites legais de rescisão de contrato. Os custos da hospedagem serão submetidos ao empregador, que também ficará responsável pelo transporte de retorno do grupo até a cidade de origem.

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