Faleceu em Cássia (MG), no último dia 4 de julho, aos 73 anos, o Sr. Benedito Orlando de Freitas, conhecido por familiares e amigos como Dito Orlando. Ele foi casado por 52 anos com a senhora Lourdes Veride Maia de Freitas. Deixa dois filhos, Simone, casada com Setímio; e Cleubes, casado com Gleice. Quatro irmãos, Vânia, Cida, Jane e Antônio Carlos; e quatro netos, Rafaella, casada com Yuri; Larissa, Rafael e Vanessa.
Dito Orlando, ainda bem pequeno, iniciou suas atividades nas lidas rurais na pequena propriedade do pai, localizada no Distrito da Julieira, município de Passos. Com o passar do tempo tornou-se exímio conhecedor das raças Gir e Girolanda. Assim, se notabilizou na região como comerciante de gado. Sempre que um amigo pretendia adquirir matrizes leiteiras, Dito Orlando era convidado a ajudar na escolha.
Com luta e dedicação adquiriu uma propriedade rural naquele município, própria para a pecuária leiteira. Era homem de fé, correto nos negócios. Com esses e outros predicados só fez em conquistar amigos, fato que ficou evidenciado pelo grande número de pessoas que, consternadas com o seu passamento, compareceram a seu sepultamento. Foi esposo e pai amoroso e dedicado, avô exemplar, fatos que atesto com absoluta convicção, pois com ele convivi por trinta anos.
Era homem otimista, sempre alegre e disposto. Mesmo nos momentos de incertezas e dificuldades enfrentadas pelo País, como nos períodos dos famigerados planos econômicos do passado, ele tinha uma palavra de encorajamento e acreditava que tudo terminaria bem. Embora bastante debilitado por doença, nunca ninguém ouviu dele uma queixa sequer. Era, inegavelmente, o esteio de todos da família. Sempre que alguém precisava de um conselho, de uma direção, reportava-se a ele com a certeza de que ele daria o rumo correto.
Ouvi, certa vez, que aquele que tem um amigo, tem um tesouro. O Senhor Dito, muito mais do que meu sogro, foi meu grande amigo. Foi ele que, com paciência, me ensinou tudo o que hoje sei da atividade rural. Ele foi sempre o meu grande incentivador, mesmo nos momentos difíceis e de incertezas, com absoluto desprendimento procurava me capacitar da melhor maneira possível.
Disse o poeta: ‘A gente neste mundo despertando, sai em busca da terra prometida, cantam festivos pássaros em bando, canções de amor pela estrada percorrida. Mas a cada hora que passa vai tombando morta, uma folha da árvore da vida, irmãos, amigos, pais, de quando em quando, lá se vão para a sobra indefinida’. Sim, o poeta Salomão Jorge tem razão nos seus versos, pois com o passar do tempo, vamos perdendo as pessoas que nos são caras. Resta-nos a certeza de que a dor edifica.
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca
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