Os protestos populares durante a Copa das Confederações deixaram uma dúvida na cabeça dos dirigentes da Fifa: em entrevista divulgada pela agência alemã DPA e reproduzida pela americana AP, anteontem, o presidente da entidade máxima do futebol mundial, Joseph Blatter, afirmou que a entidade pode ter errado na escolha do Brasil como anfitrião da Copa do Mundo de 2014 caso as manifestações se repitam no ano que vem. Diante da repercussão de seu comentário, mais tarde Blatter contemporizou: ‘Eu estou confiante de que o Brasil vai entregar uma grande Copa do Mundo. É o lugar certo para estar. Porém, eu vou discutir esse e outros assuntos com a presidente Dilma Rousseff em setembro.’
Porém, a sua opinião, a cada dia que passa, começa a ser compartilhada por um número maior de brasileiros: a realização da Copa no País serviu apenas para que os problemas de planejamento e uso de dinheiro público para obras e eventos privados fossem expostos. Afinal, ao contrário do que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia garantido quando o Brasil foi escolhido, a reforma e construção de arenas serviram para uma verdadeira farra com o dinheiro público. Os aditamentos acabaram elevando os valores investidos em até duas vezes,como aconteceu com o Estádio Mané Garrincha, em Brasília, totalmente bancado pelo governo do Distrito Federal, ao dobro do preço inicialmente previsto.
A condição atual do Brasil, onde índices econômicos e sociais oscilam entre os apresentados por países como Suíça e Noruega e os das nações mais pobres da África, não permite luxos como este. Todo o dinheiro aplicado nas obras seria melhor empregado na Saúde e na Educação, dois grandes pleitos da massa de manifestantes que aproveitou a Copa das Confederações, em julho, para protestar. Foi um sinal claro de que a população brasileira hoje já não aceita que a ‘pátria de chuteiras’ seja utilizada para desviar a atenção das mazelas nacionais. Investir em obras suntuosas que se tornarão verdadeiros elefantes brancos cala fundo à consciência do brasileiro que não se impressiona mais com um país de propaganda.
A política do pão e circo hoje já não cola mais, diante do acesso fácil às informações, seja nos grandes centros ou nos grotões do País. Mesmo havendo o circo ainda falta o pão para milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza. O que não se entende é a insistência das autoridades em tentar eclipsar os problemas brasileiros com espetáculos que, certamente, não serão acessíveis a todos. Os preços dos ingressos para a Copa do Mundo do Brasil tornam-se proibitivos para grande parte dos que gostam de futebol e que terão de se contentar em acompanhar tudo pela TV. Desta forma, os benefícios serão pequenos diante do rombo que certamente está sendo feito nos cofres públicos. No final, a conta ficará para o trabalhador brasileiro pagar, como sempre acontece em nosso País, numa prática que precisa ser extinta com urgência.
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