‘Economês’


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Alguns dizem que o economês é uma língua difícil, complicada. E que, muitas vezes, serve para iludir os incautos. Eu, particularmente, não acho nada disso, mas sou suspeito, pois faço parte da tribo que fala esse ‘estranho’ idioma.

Como estamos em tempo de férias e de descanso, proponho aproveitarmos a oportunidade para recrearmo-nos e decifrarmos alguma coisa da ciência econômica, que cultiva aquela língua, chamada ‘ciência lúgubre’, epíteto cunhado com base nos escritos de Thomas Malthus (1766-1834), na verdade, termo criado por Thomas Carlyle (1795-1881). Vamos lá!

A mais simples e a mais rica das lições encontradas no economês para mim é aquela atribuída a Milton Friedman (1912-2006), da Universidade de Chicago, um dos mais brilhantes economistas do século XX, ganhador de Prêmio Nobel. Segundo ele, ‘não existe almoço grátis’. Traduzindo, isto quer dizer que para produzir uma unidade de qualquer bem, uma passagem de ônibus ou um par de sapatos, incorremos em um custo, de matéria prima, de mão de obra etc. Ou seja, os proprietários dos meios de produção utilizados na fabricação dos bens serão sempre remunerados. ‘Do couro saem as correias’, simplesmente.

No caso da passagem de ônibus, questão que está na ordem do dia, se ela for dada de graça para a população ou parte dela (estudantes, idosos), alguém terá de pagar por isso de uma maneira ou de outra. Os proprietários das empresas de ônibus não trabalharão de graça, pois, nesse caso, irão à falência. O governo, por conta de todos nós, arcará com o custo via recursos orçamentários. Tente o caro leitor aplicar a lição e comprovar a hipótese: o almoço grátis, realmente, não existe.

Continuando, vejamos, agora, o chamado ‘custo de oportunidade’. É o ‘preço’ de deixar de fazer alguma coisa para fazer outra. A demonstração é simples: quero ir ao cinema, mas tenho (também) o compromisso de ir à festa de aniversário do meu amigo. Optando por ir ao cinema, qual será o custo de deixar de ir à festa de aniversário? Este é um exemplo pessoal, no entanto, a aplicação do conceito na vida real é imediata: qual é o custo de oportunidade para a economia e sociedade brasileiras dos gastos com a construção de estádios (perdão, arenas) para a Copa, quando cotejados com a possibilidade de construção de hospitais, escolas, estradas? Custo elevadíssimo, heim?

Muita gente diz não saber exatamente o que é liquidez. A ideia, ou o conceito, vem da física, ou seja, o corpo, no seu estado líquido, assume a forma do objeto que o contém. Na economia, liquidez é a característica da riqueza de amoldar-se ao estado que seu dono deseja. O estado de liquidez ideal de uma riqueza é a do dinheiro vivo, quando ela pode assumir qualquer forma: viagens, imóveis, automóveis. A propósito, qual é o grau de liquidez do seu patrimônio?

De vez em quando vemos na televisão um economista bem falante e articulado discutindo a ideia da ‘elasticidade-renda da procura’ ou da ‘elasticidade-preço da demanda’. Traduzindo para os terráqueos, essa elasticidade nada mais é do que a relação entre variação da renda ou do preço com a procura de um determinado produto. Falaremos disso em uma próxima oportunidade. Até lá.

Vicente de Paula Oliveira
Economista

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