Engana-se quem pensa que os bandidos são os principais causadores de trabalho à Polícia Militar. Briga entre vizinhos, familiares, amigos e reclamações de barulho lideram disparadamente o ranking de ocorrências atendidas. De janeiro a junho deste ano, o Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) de Franca recebeu 4,2 mil chamados para atender ocorrências de desinteligência (3,4 mil) e perturbação do sossego alheio (800). Segundo os comandantes do 15º Batalhão, os “bafões”, em alguns dias mais críticos, como finais de semana, por exemplo, chegam a representar cerca de 70% do total de ocorrências atendidas pela PM no município. Os números indicados representam somente os casos onde foi necessário deslocar viaturas até o local dos fatos e não levam em conta orientações feitas apenas por telefone.
De acordo com a chefe do setor de comunicação da PM, capitão Andreza Cristina Bérgamo, os números são realmente preocupantes e provocam, por vezes, um acúmulo de atendimentos em espera.
“Se não bastasse a quantidade de ocorrências do tipo, em certos casos, alguns solicitantes ainda exageram na gravidade do problema, desejando, rapidamente, a presença da viatura no local”, comentou a oficial, que aproveitou para elencar 11 maneiras de evitar conflitos (veja quadro nesta página).
Esses conflitos quando não contornados, em alguns casos, acabam transformando-se em incidentes mais graves como ameaças ou agressões. No mês passado, o juiz da 2ª Vara Criminal de Franca, Wagner Carvalho Lima, 45, foi agredido em frente ao prédio onde mora, no Residencial Amazonas, depois de se queixar contra o excesso de barulho.
O magistrado relatou ter sido acordado durante a madrugada por conta de uma algazarra de jovens que conversavam aos berros em frente ao prédio. Um dos rapazes se irritou com a repreensão e partiu para cima do juiz, atingindo-o nas costas. O soco foi tão forte que chegou a rasgar a camiseta que ele vestia e causou-lhe escoriações. Wagner Carvalho afirmou que o agressor proferiu ameaças contra sua vida, dizendo que iria buscar uma arma de fogo em seu carro para matá-lo.
Em 2012, uma festa no Jardim Petráglia terminou em briga entre vizinhos. Um motorista de 24 anos, morador na avenida José Rodrigues da Costa Sobrinho, fez um quebra-quebra na casa de um estudante de 21 anos, após não conseguir dormir. De acordo com a polícia, o motorista se irritou com o som alto e a gritaria. Como a “bagunça” não cessou, o homem quebrou o portão, a porta da sala e vidros das janelas da casa do estudante.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.