Mais uma vez a Palavra de Deus quer conduzir nossa vida. Vejamos os ensinamentos que a Missa tem para nos oferecer neste domingo
Na primeira leitura (Deuteronômio 30), perguntamos: qual é o caminho que nos conduz ao conhecimento da vontade de Deus? Os antigos procuravam descobri-lo recorrendo aos bruxos e aos astrólogos. E os homens de hoje o que fazem? Alguns continuam depositando a própria confiança nos adivinhos e nos horóscopos; outros nem sequer se preocupam em saber o que Deus quer e, em qualquer situação, procuram simplesmente o que lhes agrada.
Os cristãos têm um guia seguro: o Evangelho. Dedicam-se à sua leitura, meditam-no, rezam e nestes momentos de reflexão Deus lhes revela o seu projeto e a sua vontade. O Deuteronômio nos aponta outro caminho para descobrir a vontade de Deus: um método muito simples e ao alcance de todos: escutar o próprio coração. Se o nosso coração fosse simples e puro, se não se deixasse cegar tão frequentemente pelas paixões, sempre faria suas escolhas de conformidade com o mandamento do Senhor.
Segunda Leitura: Colossenses 1
Depois da Carta aos Gálatas, durante quatro domingos meditaremos a Carta aos Colossenses. Paulo se encontra prisioneiro em Roma e, da Ásia Menor, chega a Roma para visitá-lo Epafras, o grande apóstolo que fundou, mantém e encoraja diversas comunidades daquela região. As notícias que traz são alarmantes. Os cristãos se deixaram seduzir por estranhas doutrinas. Paulo escreve aos colossenses e lhes recomenda divulgar a sua carta também nas comunidades vizinhas.
Começa entoando um hino de Cristo, que nos é proposto na leitura de hoje. Na primeira parte, celebra a primazia de Cristo sobre toda a criação. Na segunda, proclama que Cristo é também o primeiro na nova criação, porque ele foi o primeiro a vencer a morte e a abrir para todos o caminho para Deus.
Os cristãos das nossas comunidades continuam tendo problemas semelhantes aos dos cristãos colossenses. Não venceram o medo dos espíritos maus. Há ainda muitos que acreditam em superstições, em tabus, em feitiços, em trabalhos, e por isso recorrem a rituais mágicos.
Evangelho: Lucas 10
O Evangelho de hoje começa apresentando-nos não um samaritano, mas um judeu, não um pecador, mas um justo. Certo dia um doutor da lei pergunta a Jesus: O que devo fazer para conquistar a vida eterna? Jesus pergunta: o que está escrito na lei? Prontamente o doutor da lei cita dois textos bíblicos. O primeiro, proclamado todos os dias pelo israelita devoto na oração da manhã e da noite; é o seguinte: “Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças”; o segundo é extraído do livro do Levítico: “e o próximo como a ti mesmo”. Resposta perfeita!
Jesus, porém, depois do elogio: “respondeste bem”, acrescenta logo em seguida: “faze isto e viverás”, “Faze!” Conhecer não é suficiente. O doutor da lei tem mais uma dúvida: “Quem é o meu próximo?” Jesus não dá nenhuma importância a esta dúvida cultural do doutor da lei. Nem mesmo lhe responde, pois para ele a pergunta já não tem sentido; para ele já não existem barreiras entre os homens. O problema não é saber até onde deva chegar o amor, mas como ele se manifesta e quem de fato ama a Deus e ao irmão.
O problema já disse isso acima não é definir até onde chega o sentido da palavra “próximo”, mas quem se torna próximo, quem se aproxima, quem mostra que assimilou o procedimento misericordioso de Deus. A vontade de Deus é manifestada, a cada momento, pela necessidade do irmão.
As últimas palavras de Jesus ao doutor da lei resumem a mensagem de toda a parábola: “vai e faze tu o mesmo!” “Faze de quem está perto de ti o teu próximo” e terás como herança a vida! Aquele que sabe tudo a respeito de Deus, mas não ama o irmão, é reprovado.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br
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