Fafram realiza pesquisas com chineses


| Tempo de leitura: 2 min
Márcio Pereira, diretor da Fafram, de Ituverava, mostra experimentos com adubo encapsulado no campus da instituição
Márcio Pereira, diretor da Fafram, de Ituverava, mostra experimentos com adubo encapsulado no campus da instituição

A Fafram (Faculdade Doutor Francisco Maeda), de Ituverava, vai abrigar um Centro Tecnológico de Pesquisa (CTP). A obra será construída em parceria com a empresa chinesa Changzhou Fuyi Drying Equipment Co. Ltda. e multinacional Kimberlit Agrociências do Brasil. Segundo o gerente da Kimberlit, Jair Teixeira, o Centro custará mais de R$ 20 milhões.

O foco do CTP será realizar estudo e testes sobre encapsulamentos para diversas finalidades, como de adubos e alimentação de aves, suínos e bovinos. Ainda não há previsão de início dos trabalhos, mas o primeiro passo já foi dado: no dia 27 de maio, Teixeira e representantes da Changzhou visitaram a Fafram para conhecer o local onde será feito o CTP.

Quando for construído, os alunos terão participação no Centro. Poderão participar como estagiários e até desenvolver trabalhos para publicação. “O Centro é a maneira que temos de contribuir com a pesquisa de uma maneira global. Além disso, estaremos sempre em contato com pesquisadores de outras instituições e de outros países”, disse Márcio Pereira, diretor da Fafram. Segundo ele, os produtos desenvolvidos pelo CTP deverão ser comercializados pela Kimberlit.

ADUBO
A Fafram já possui experiência em testes (validação) de produtos encapsulados. Atualmente, está fazendo testes com o kimcoat, adubo encapsulado desenvolvido pela Kimberlit. Experimentos já foram feitos em laboratório, em estufa, e agora, a etapa é de teste prático em culturas de arroz na cidade de Guatapará (SP).

O adubo deverá ser comercializado na China pela Changzhou. Ele é composto por ureia encapsulada para adubação de culturas de arroz irrigado. Quando os adubos com base em ureia são utilizados no arroz cultivado, a planta libera quantidade expressiva de gás metano, um dos causadores do efeito estufa. “A China produz milhões de toneladas de arroz, é a maior produtora mundial do grão. Ela sofre uma pressão muito grande da comunidade internacional por causa da liberação excessiva de metano nas suas culturas de arroz. Então, ela tem buscado técnicas alternativas para a redução do gás na atmosfera”, afirma Pereira.

De acordo com ele, quanto mais lenta for a liberação da ureia, menos metano é liberado e o encapsulamento tem exatamente a característica de retardar a liberação das substâncias. “O kimcoat libera a ureia de maneira mais lenta e permite que a planta absorva mais o nitrogênio da ureia. Nos testes que fizemos com kimcoat não houve aumento de produtividade, mas ele diminuiu em 40% a liberação de gás metano.”

O próprio material da cápsula, feita de um polímero derivado da cana-de-açúcar, é benéfico, por ser biodegradável. Os testes devem durar até o final deste ano e incluirão experimentos no solo chinês.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários