Inovação alvissareira, que diz respeito à educação e à família, é a de alguns pais nos Estados Unidos e cerca de oitocentos no Brasil estarem adotando o critério de aplicar o ensino formal nos próprios domicílios, ao invés de encaminhar seus filhos para as escolas. São informações constantes de interessante matéria do caderno Equilíbrio, da Folha de S. Paulo, edição de 28 de maio último, segundo a qual, a medida vem sendo adotada em face de, atualmente, o formato sócio-educacional escolar mostrar-se um tanto falho. Por certo, esperam os pais que, com a sua própria orientação e com apoio dos bons livros e da “parte boa” da internet, a ampliar-lhes o campo da pesquisa e da informação – constituindo-se em fontes nas quais possam os estudantes beber até mesmo diretamente –, a nova medida mostre-se opção segura.
Evidentemente que tal expediente, não constando dos programas oficiais, apresenta o inconveniente de ainda não contar com a necessária certificação pelo competente órgão governamental, além de não permitir a tão desejada socialização do educando. Entretanto, e com a ressalva da exigência de melhor avaliação didática e pedagógica, ele se nos apresenta realidade digna de ser institucionalizada, posto que devolve aos pais a obrigatoriedade da educação que a escolástica lhes tirou, especializando alguns profissionais formalistas em prejuízo da educação moralizadora e sua consequente solução disciplinar, que se devem transmitir diretamente daqueles aos quais teria a competência sido outorgada pelas próprias leis naturais.
Contudo, até que se ajuste uma educação exclusivamente doméstica, acreditamos que um regime misto, parte em casa, parte na escola, possa vir a representar solução para os graves problemas que, hodiernamente, afetam os processos educacionais propedêuticos, com gravíssimos reflexos no ensino superior (lembremos, apenas para exemplificar, os desastrosos resultados dos cursos de medicina avaliados pelo Cemesp em 11 de novembro de 2012, relativamente aos alunos formados em 2011). Referentemente a formação e informação recebidas em casa, é do espírito Emmanuel, no seu livro O Consolador, pela psicografia de Chico Xavier, questão 110, a seguinte observação: “O lar é a primeira escola”. É, sobretudo, a escola do exemplo, da vivência, do afeto, do carinho, da disciplina e da imprescindível conscientização para o senso de responsabilidade.
A escola doméstica promove a interação pais e filhos, de que, invariavelmente, resulta mútuo aprendizado. Ali há que se exercer a verdadeira educação do homem como ser integral e não mera oferta de conhecimentos formais. O mundo moderno está cheio de conquistas científicas e tecnológicas, todavia contraponteadas com as angustiosas carências afetivas, que, de ordinário, se implicam em dolorosos traumas e aberrações familiares. Oxalá esteja, na modalidade educacional que resurge, a observância irrestrita da advertência de Paulo, o apóstolo, segundo a qual a “ciência incha, mas, só a educação constrói”.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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