O governo federal, em que pesem esforços, pacotes, desonerações e malabarismos matemáticos, acompanha quase de mãos atadas a deterioração da economia brasileira. Hoje, a presidente Dilma Rousseff já não pode apregoar que o País está ‘vacinado’ contra a crise que atinge o mundo desde 2008, quando se iniciou a quebradeira dos bancos nas maiores economias do planeta. Os números mais recentes mostram que ainda não se encontrou uma forma de recolocar os mais diversos setores produtivos nos trilhos, permitindo à nossa economia crescer como não se vê desde que a presidente tomou posse.
A última má notícia foi divulgada ontem: o nível de atividade econômica do País apresentou a maior queda mensal desde a eclosão da crise financeira internacional, em dezembro de 2008. Os números, divulgados ontem pelo Banco Central (BC) caíram feito bomba no mercado financeiro. Analistas previam retração em maio, mas foram surpreendidos com a baixa de 1,4% sobre abril do Índice de Atividade do BC (IBC-BR). A queda coloca no radar a possibilidade de que o atual ciclo de alta de juros termine antes do previsto. Além disso, o recuo derruba algumas apostas de que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre seria mais forte do que o dos primeiros três meses do ano, quando a economia cresceu apenas 0,6%.
Ou seja, corre-se um risco de novo ‘pibinho’ que poderia deixar a taxa abaixo dos 3% no final do ano. Além disso, interromper o ciclo de aumento dos juros torna-se uma possibilidade cada vez mais real. Outro agravante pode ser o governo divulgar um novo pacote de desonerações, buscando estimular o consumo para tentar reverter estes números negativos — principalmente às vésperas de um ano eleitoral. Porém, nenhuma destas hipóteses, como se vem demonstrando recentemente, é uma aposta certa para reverter a tendência de queda do crescimento econômico. Afinal, nem estímulo ao consumo e nem aumento da taxa de juros conseguiram segurar a inflação em alta e o PIB em baixa.
Tentar tapar o sol com a peneira a área econômica do governo não consegue mais. Quem vai ao supermercado periodicamente já percebeu que os preços estão subindo e bem acima do que os 6,5% anuais da inflação oficial. Seja por causa da sazonalidade ou de outros fatores, que levam ao aumento da demanda diante da redução da oferta, há produtos cujos preços subiram muito mais do que 30% nos últimos doze meses — cerca de cinco vezes o índice inflacionário do período.
Já passou da hora do Planalto rever a sua política econômica, que privilegia apenas o estímulo ao consumo. Isto não mais consegue catapultar a produção industrial, principal motor do desempenho da economia. Se quiser mesmo reverter a situação, deve a equipe econômica do governo federal buscar outras soluções para o bem do País. Do contrário, a deterioração irreversível nos indicadores poderá nos levar às incertezas e desafios de duas décadas atrás.
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