Crianças hiperativas sofrem com falta de remédios na rede pública


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A dona de casa Lígia F. dos Santos mostra pedido de remédio que seu filho precisa: aguardando o Estado liberar
A dona de casa Lígia F. dos Santos mostra pedido de remédio que seu filho precisa: aguardando o Estado liberar

Mais de 50 crianças em Franca estão necessitando do remédio Ritalina LA 20 mg, para pacientes com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A reclamação das mães de pacientes é que as redes municipal e estadual não estão atendendo a pedidos. Elas também não encontram o remédio em farmácias da cidade. A Secretaria Municipal de Saúde informou que sob sua responsabilidade estão 15 pacientes considerados “antigos”; os casos considerados “novos” são repassados ao Estado. O Estado, por meio do DRS (Departamento Regional de Saúde) de Franca, afirma que o remédio não faz parte da lista definida pelo governo federal para distribuição na rede pública de saúde. E, no momento, só consegue retirar o remédio na Farmácia de Alto Custo os pacientes que já têm o pedido autorizado (veja mais nesta página).

Diante do impasse, as mães sofrem com a preocupação. Entre elas, a dona de casa Lígia Ferreira dos Santos, 45. Seu filho, João Victor, 9, é hiperativo, e passou a necessitar do remédio desde março deste ano, mas Lígia não conseguiu o fornecimento gratuito. “Fui na Secretaria Municipal de Saúde e me falaram que eu só poderia retirar no DRS. No DRS, tinha, mas eu só poderia retirar com um telegrama de S. Paulo”, disse.

A dona de casa está preocupada com os efeitos que a falta do remédio pode trazer a longo prazo. “O médico falou que as crianças que não tomam Ritalina ficam mais violentas e propensas até a usar drogas”, disse.

Lígia e outras mães procuraram o Conselho Tutelar, que questionou a Secretaria de Saúde nesta semana sobre quantas crianças estão precisando do remédio. O conselheiro Ilton Ferreira disse que o órgão ainda não respondeu e ainda não é possível tomar qualquer atitude. Fontes internas do Conselho, que entraram em contato com funcionários da Secretaria, afirmam que a lista de espera chega a 54 crianças.

A auxiliar de limpeza Regina Maria Rocha, 31 se preocupa com o filho Victor Hugo, 9. Diagnosticado com o transtorno em 2009, está há seis meses sem medicação. O pedido ao governo estadual já completou oito meses. “Até hoje o Estado não forneceu. Meu filho ficou mais agressivo e já até tentou suicídio. Sem a medicação, ele não tem controle emocional nenhum”, desabafou.

ESCASSEZ
A reportagem ligou para cinco farmácias na quinta-feira, 11, e nenhuma delas tinha a Ritalina. Em nota, o laboratório produtor do remédio, o Novartis, esclareceu que houve atraso nas autorizações de importação do medicamento e um aumento de demanda, o que causou o desabastecimento em algumas regiões.

Ainda segundo o laboratório, a distribuição já começou a ser normalizada no início desse mês.

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