‘Opinião de promotor nunca valeu nada. Eles querem aparecer’, diz Sidnei Rocha


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Márcio do Flórida conduz trabalhos da Cei e interroga Sidnei Rocha que gritou, ironizou e atacou
Márcio do Flórida conduz trabalhos da Cei e interroga Sidnei Rocha que gritou, ironizou e atacou

Ao sair de casa para prestar depoimento na CEI do viaduto ontem à tarde, Sidnei Rocha foi alertado pela mulher, Diva Faleiros. “Vai lá e não apronta”. A recomendação foi ignorada. O ex-prefeito falou por uma hora. Gritou várias vezes, destilou ironias, ameaçou abandonar a reunião e fez ataques. A chegada do depoente à Câmara sinalizou o quanto ele estava levando a a sério o trabalho da comissão, a qual classificou como “CEI do fim do mundo”. Sidnei usava tênis de caminhada e um abrigo esportivo preto. “É que eu acabei de sair da fisioterapia”.

Ele empurrou para a ex-secretária, Valéria Marson, a responsabilidade por eventuais falhas ou acertos nas questões técnicas da obra. Chamou para ele apenas a decisão de não ter feito o alargamento do córrego na fase de construção do viaduto que leva o nome de sua mãe. Desqualificou a ameaça de processo feita pelo Ministério Público quando cogitou aditar o contrato com a empreiteira para realizar o serviço que, agora, deixará a obra mais cara cerca de R$ 2,3 milhões, de acordo com engenheiros da própria prefeitura.

Sidnei Rocha chegou à Câmara dez minutos antes do horário marcado, 15 horas. Estava acompanhado do ex-vereador e seu funcionário na rádio Hertz, Marcelo Valim. O procurador-jurídico do município, Joviano Mendes da Silva, estava no plenário para acompanhar o depoimento. Uma equipe da Polícia Militar ficou de prontidão para qualquer eventualidade. Cerca de 30 pessoas assistiram das cadeiras.

O Sidnei versão esportista mostrou o seu cartão de visitas logo na primeira pergunta, quando Márcio do Flórida pediu para ele falar mais perto do microfone. “Não vou falar perto, não. Aumenta o volume lá na técnica”. O tempo esquentou logo aos quatro minutos, quando Sidnei disse que o viaduto é aplaudido por “quase 100%” da população e foi repreendido por Márcio da Flórida a responder apenas o que fosse perguntado. “Se me provocar, levanto e vou embora”, ameaçou Sidnei. “O senhor veio aqui na condição de testemunha. Não é para dar show”, rebateu o vereador. “Se eu te desacatar, mande me prender”, devolveu Sidnei.

A primeira parte do depoimento foi dedicada à fase da elaboração e contratação dos projetos para a obra. Sidnei disse que se encontrou com o engenheiro Paulo dos Santos Neto, que fez um estudo preliminar antes de ser contratado pela Prefeitura, mas afirmou não saber detalhes sobre questões técnicas da licitação, projetos e contratação. “Isto não passa pelas mãos do prefeito. Caso contrário, não precisava de secretários. Cada um tem sua responsabilidade”. Sempre que Márcio insistia no tema, Sidnei dizia que não era ele quem deveria responder. “Vim com a maior boa vontade para esclarecer, mas o senhor faz perguntas que a Valéria tem que responder. É ela que entende disto, não sou eu”. “Mas o senhor era o prefeito”, insistiu o vereador. “Você descobriu agora que eu era prefeito. Parabéns”.

Sidnei foi questionado sobre o motivo de não ter feito o alargamento do córrego para evitar enchentes durante a construção do viaduto. Ele disse que não achava prioritário. Ao ser lembrado que cogitou fazer o serviço por meio de um termo de aditamento, mas que desistiu após ameaça de inquérito, o ex-prefeito mudou o foco de sua metralhadora e atacou o Ministério Público. “Bobagem que não fiz por causa do promotor. Foi opção minha. Inquérito civil, opinião de promotor, estas coisas, para mim, nunca valeram nada. Eles querem aparecer em cima dos prefeitos”.

O ex-prefeito rebateu a acusação de que a falha por não ter feito o alargamento junto com a obra é a responsável pelo aumento dos custos: “Ficará mais caro por conta da inflação do governo do PT”.

Ao encerrar o depoimento, deixou o aparente mau humor de lado, concedeu entrevistas e foi embora sorrindo.

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