Duzentas pessoas ligadas ao movimento dos sem terra bloquearam, na manhã de ontem, as duas pistas da rodovia Cândido Portinari. Por aproximadamente uma hora, os manifestantes - a maioria deles pertencentes ao assentamento 17 de Abril, da fazenda Boa Sorte, localizada no município de Restinga -, bloquearam a passagem para pedir melhorias nos assentamentos, nas estradas, na saúde e educação. Entre outras reivindicações, o grupo pede ainda menos burocracia para a renegociação das dívidas com os bancos. Esta é a segunda vez que o grupo bloqueia a rodovia neste mês.
Por volta das 10 horas, uma fila de carros de aproximadamente dois quilômetros se formou no quilômetro 379, da estrada que liga Franca a Batatais. Enquanto esperavam, alguns motoristas recebiam produtos, como mandioca e legumes, cultivados pelos próprios agricultores. Vestidos de vermelho e com cartazes nas mãos, pediam mais respeito à causa da reforma agrária.
Segundo o coordenador estadual do MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra), Vilmar da Silva, as tentativas de negociação falharam entre o grupo e os principais órgãos envolvidos (Incra, Itesp, Conab, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) e por isso era preciso agir. “Por enquanto só houve descaso do Poder Público, que está dificultando as negociações que, conforme prometido, eram para ter acontecido na semana passada. Enquanto não resolverem essa situação, nós não vamos parar [com os protestos].”
TIRO NO PÉ
As lideranças do MLST e da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) organizaram um encontro, na tarde de ontem, na Câmara Municipal de Ribeirão Preto, para estudar uma maneira de diminuir a burocracia dos projetos de aquisição de alimentos. O que os dois lados não esperavam é que os protestos que interditaram a rodovia Anhanguera e que também lutam pela reforma agrária atrasassem a viagem da diretoria da Conab até o interior do Estado. Por conta disso, a reunião foi cancelada e os envolvidos estudam uma nova data para que a discussão ocorra.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.