Os protestos que tomaram conta de São Paulo ontem tiveram reflexo direto na movimentação do terceiro dia da 45ª Francal (Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios). Com medo de ficar parados no trânsito, muitos expositores alteraram a rotina. Já os visitantes só começaram a chegar com maior intensidade a partir do meio dia. Ao final da tarde, o presidente da Francal Abdala Jamil Abdala reconheceu que o Dia Nacional de Luta, como o movimento foi chamado, afetou o evento.
Às 8 horas, novo horário de abertura adotado pela feira desde terça-feira, o movimento era fraco no Anhembi. Dentro do pavilhão, os corredores ficaram praticamente vazios nas três primeiras horas de feira. Os lojistas só passaram a circular em maior número próximo do horário do almoço. “Acredito que os lojistas ficaram preocupados com toda essa movimentação e optaram por vir mais tarde”, disse o empresário Téti Brigagão, da Sândalo. Segundo ele, em razão da queda de visitantes, o último dia de evento que tradicionalmente é considerado fraco pode vir a ter mais público.
Preocupada com os possíveis desdobramentos do dia, a empresa Francajel, que hospedava os funcionários em um hotel da região da Avenida Paulista, resolveu mudar para um hotel anexo ao Anhembi na noite anterior. “Diante das notícias e dos comentários, decidimos pela troca durante a tarde de quarta-feira”, explicou Telmo Hajel Filho, do departamento de marketing da Francajel.
A precaução também foi adotada por representantes que vieram mais cedo para a feira. “Teve um representante nosso que chegou às 6 horas e ficou dentro do carro esperando o horário de abertura.” Hajel disse ainda que embora esperasse reflexos negativos maiores, a queda não afetou as negociações. “Tivemos uma boa visitação e fechamos pedidos, mas poderia ter sido melhor, já que alguns clientes que haviam marcado de vir, não vieram.”
Para o presidente da Francal, o que atrapalhou foi a boataria sobre uma paralisação geral e até da não realização da feira na quinta-feira. “O boato correu forte nos corredores e afugentou os visitantes”, disse.
No intuito de diminuir ainda mais o impacto, a Francal distribuiu comunicados aos expositores e visitantes informando que a feira funcionaria normalmente e reforçou os translados com ônibus oferecidos gratuitamente aos lojistas. “Chegamos até a nos reunir com o sindicato dos taxistas pedindo para não faltar táxis nas proximidades da feira. Como era esperado, não houve caos, mas muita gente acabou indo embora antes”, disse Abdala.
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