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Valéria imita Jépy e troca sessão por viagem ao exterior

Estou em São Paulo desde o domingo. Por causa da cobertura da Francal, a ideia inicial era não publicar a coluna hoje. Mas as notícias que brotam na terra das três colinas forçaram uma mudança de planos. Da nossa redação na Rua J do Parque do Anhembi, a 400 quilômetros de Franca, fico sabendo que o presidente da Câmara, Jépy Pereira (PSDB), após ter abandonado a sessão passada, também deu o cano na reunião de ontem. Ele resolveu esticar sua estada em Havana e só deverá retornar das férias de inverno no Caribe hoje. Entre uma rodada de mojito e uma baforada de legítimo havano, Jépy fez um interurbano e perguntou ao vice-presidente, Marco Garcia (PPS), se ele iria abrir a sessão. Recuperado das pedras nos rins, Marco conduziu os trabalhos ontem e confirmou: o departamento financeiro da Câmara foi avisado para descontar do próximo salário de Jépy as duas ausências injustificadas.

Para minha surpresa, enquanto percorria os corredores do Anhembi em busca de informações sobre o volume de vendas concretizado pelos expositores de Franca, eis que toca o meu celular. Do outro lado da linha, uma fonte quente avisa: “Edson, você não é curioso, mas vou te contar. A Valéria também não participou da sessão de hoje [ontem].” E não é que a nobre parlamentar seguiu os passos do colega de partido Jépy e esticou o feriadão fora do país? Valéria está na Cartagena das Índias, uma cidade da Colômbia com cerca de um milhão de habitantes, onde assistiria ao casamento da enteada. Até aí, tudo bem, nenhum problema. Todos temos os nossos compromissos e, eventualmente, temos de nos ausentar do trabalho.

Mas, mesmo tendo viajado com recursos próprios, seria mais simpático se Valéria tivesse comunicado oficialmente a Câmara e sinalizado que a ausência fosse descontada de seus salários. Nenhum pedido neste sentido deu entrada no setor de protocolo da Câmara. Para quem já se esqueceu, Valéria teve de devolver R$ 1.076,71 à Câmara, além de assinar um acordo com o Ministério Público se comprometendo a pagar uma multa no valor de R$ 397 por ter usado recursos públicos em evento de promoção pessoal. Pelo visto, o episódio da farra das medalhas não serviu de exemplo. Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, principalmente, num período de ebulição política em que o povo já deu o recado de que não vai mais aceitar fazer papel de palhaço.

Haja charuto!
O deputado federal por Franca, Marco Ubiali (PSB), não deu as caras na Francal. Por telefone, ele disse ao colega Anderson Pinheiro que sua ausência foi motivada uma série de reuniões importantes que precisava comparecer antes de sua viagem. Adivinha para onde ele vai embarcar hoje? Cuba. O objetivo, segundo ele, será a troca de experiências entre parlamentares dos dois países. Não sei se o Jépy vai participar.

Aula magna
Bruno Caetano é sociólogo com mestrado em Ciências Política. Antes de assumir a superintendência do Sebrae São Paulo, foi o secretário estadual de Comunicação durante o governo de José Serra (PSDB). Tomei um café com ele, ontem à tarde, na redação do GCN na Francal. Bruno acredita que a onda de protestos dará maior maturidade às pessoas e terá forte reflexo nas próximas eleições. Na sua avaliação, o político que não tem um reduto específico poderá ser o mais atingido. Já o político tradicional, que tem o seu “curral eleitoral”, deverá sentir menos o impacto. Bruno acha temeroso o Congresso Nacional aprovar uma reforma política às pressas só para dar uma satisfação imediata à população. Ele defende a necessidade de um estudo mais profundo e deu como exemplo a questão do financiamento público de campanha. O sociólogo fez um levantamento e concluiu que as eleições passadas custaram R$ 9 bilhões com base no que os políticos declararam. “Se este gasto for assumido pelo poder público, de onde virá o dinheiro? Vai aumentar imposto ou vai haver corte de investimentos? Será que as pessoas estariam dispostas a arcar com tributos para financiar campanha?”

Ressaca
Jépy e Valéria não perderam nada de interessante. Em clima de ressaca pós-feriado prolongado, a Câmara Municipal fez uma sessão relâmpago ontem. A reunião durou menos de uma hora. Um vereador chegou a dizer que iriam acabar a reunião rápido porque o Edson Arantes não estava lá. Mas os olhos e ouvidos estavam.

Vem pra casa!
Agora, é para valer. Os políticos podem ficar sossegados, pois a coluna não vai circular nas próximas duas semanas. Terminada a Francal, vou dar uma de vereador (ou de deputado) e pagarei a estrada. Mas, nada de Cuba ou Colômbia. A Festa do Biscoito na grande Caldas (MG) me espera...

Edson Arantes
Jornalista – edson@comerciodafranca.com.br

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