Alexandre nega que tenha privilegiado a São José


| Tempo de leitura: 3 min
Passageiros se espremem dentro de um dos ônibus da Empresa São José
Passageiros se espremem dentro de um dos ônibus da Empresa São José

O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) quebrou o silêncio. No início da tarde da terça-feira, pouco depois do encerramento da solenidade de abertura da 45ª Francal, em São Paulo, ele falou pela primeira vez sobre o contrato que assinou na surdina com a Empresa São José em abril. O acordo, homologado pela Justiça, autoriza a concessionária a ignorar parte significativa das exigências feitas no edital de licitação do transporte coletivo de Franca. Pelo documento, a Prefeitura abriu mão de cobrar a empresa pelas irregularidades anteriores ao acordo e não estipulou punição em caso de novo descumprimento das exigências. Na entrevista, Alexandre se eximiu de responsabilidades e garantiu que não haverá prejuízos à qualidade do serviço. O prefeito também negou que tenha privilegiado a empresa em detrimento do interesse da população em geral.

Acompanhado de sua mulher, Cynthia Milhim, Alexandre Ferreira compareceu à cerimônia de abertura da Francal. Com cara de poucos amigos, conversou pouco com a comitiva de cinco vereadores que também marcou presença na solenidade. Só atendeu a imprensa depois que o evento terminou. Alvo de críticas desde que o Comércio da Franca revelou, com exclusividade, na edição do último domingo, a existência do acordo entre a Prefeitura e a São José, Alexandre vinha evitando tocar no assunto. Procurado pelo jornal na segunda-feira, não quis se pronunciar. Em São Paulo, resolveu falar.

Em uma entrevista de pouco mais que cinco minutos, o prefeito justificou que a assinatura do acordo é resultado de um processo iniciado durante o governo do ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB), que o elegeu como sucessor. “A ação judicial movida pela empresa em função da incapacidade de cumprir o contrato é do ano passado. Não dá para falar que foi este governo. Pegamos a coisa andando e chegou na nossa frente para homologar.”

Segundo o prefeito, o acordo será benéfico para os usuários do transporte público, mesmo ignorando a exigência de novos ônibus e micro-ônibus. Citou como melhoria a implantação de linhas intrabairros, que pelo contrato original já deveriam ter sido criadas há quatro anos. Também mencionou o monitoramento de rotas e horários por meio de GPS, item do acordo que já deveria estar em operação. “A empresa tem obrigações sim. A imprensa imparcial tem que colocar aquilo que, realmente, é. A empresa tem algumas obrigações e a Prefeitura vai cobrar o que foi homologado através desta ação judicial que é do governo anterior”, disse, esquecendo-se que com a homologação o processo foi extinto.

O prefeito também negou que o acordo tenha sido assinado na surdina. Para Alexandre, não havia necessidade de informar a Câmara Municipal e a sociedade sobre os novos termos celebrados em uma reunião realizada há três meses na sala da Procuradoria Jurídica do município.

“É um processo normal de administração, de execução. O que a gente fez é para melhorar. Isso, para nós, é de uma tranquilidade muito grande.”

Mesmo não tendo sido perguntado a respeito, Alexandre Ferreira se preocupou em tentar refutar insinuações feitas na cidade de que devesse algo ou estivesse comprometido com a empresa São José. “Não temos o rabo preso com ninguém, não temos problema com ninguém.”

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários