Acordo assinado na surdina entre Prefeitura e S. José gera protestos


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A dona de casa Maria Rosemeire Lima, 61, acompanhada do filho Anderson Aparecido de Almeida, 31, aguarda o elevador do ônibus voltar a funcionar, na tarde de segunda-feira
A dona de casa Maria Rosemeire Lima, 61, acompanhada do filho Anderson Aparecido de Almeida, 31, aguarda o elevador do ônibus voltar a funcionar, na tarde de segunda-feira

“Sabe o que eles [manifestantes] deveriam fazer? Quebrar toda a empresa [São José] e pôr fogo nos ônibus.” Quem lê a frase anterior pode achar que foi dita por um vândalo, que se aproveitou dos protestos pelo Brasil para depredar. Mas não é. O comentário foi feito pela dona de casa Marla Cristina dos Reis, 23, moradora no City Petrópolis, na tarde de segunda-feira, enquanto esperava um ônibus no Terminal “Ayrton Senna”.

Ela necessita do transporte público para se locomover com o filho de 6 anos, que tem paralisia infantil e usa cadeira de rodas. “Além de eu pagar a minha passagem e a dele, caras, tenho que ficar esperando muito tempo no ponto por um dos ônibus para cadeirantes.” A revolta de Marla aumentou ao ver as páginas da edição do último domingo do Comércio, que publicou com exclusividade um acordo assinado entre Prefeitura e São José, que colocou fim a um processo judicial que se arrastava havia dois anos e discutia os valores e as obrigações do contrato de exploração do transporte público da cidade. Enquanto parte da população se revoltou, as autoridades diretamente ligadas ao caso resolveram “sumir” (leia texto nesta página).

O acordo autoriza a empresa a ignorar pontos exigidos pelo edital da Prefeitura, como a frota mínima de veículos estipulada; a aquisição de novos ônibus e vans; o respeito à vida útil desses veículos; e até a manutenção e segurança dos terminais do Centro e da Estação, além dos pontos de embarque e desembarque.

A notícia teve efeitos imediatos. O movimento Vem Pra Rua de Franca agendou, em caráter de urgência, uma manifestação para as 17h30 desta quarta-feira, no Terminal “Ayrton Senna”, no Centro. “Nós fizemos uma moção de repúdio contra o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e a São José, e os manifestante vão distribuir panfletos às pessoas que passarem no terminal. Faremos também um apitaço. Estamos convocando o máximo de pessoas através do telefone e Facebook”, disse a professora Vera Lúcia Albuquerque, integrante do Vem Pra Rua.

De acordo com o grupo, até a tarde de segunda-feira nenhuma rota havia sido definida. Eles pretendem ir até a Câmara Municipal, onde ocorrerá sessão no mesmo dia. A manifestação que já estava agendada para o dia 11 de julho, às 17 horas, com concentração na praça Nossa Senhora da Conceição, está mantida.

INVESTIGAÇÃO
O Comércio entrou em contato, na manhã de segunda-feira, com os vereadores Adérmis Marini (PSDB) e Nirley de Souza (DEM), integrantes da CEI (Comissão Especial de Investigação) que investiga o transporte público francano. Os políticos pareceram surpresos com a notícia e negaram ter conhecimento do fato antes da publicação.

Adérmis, líder do governo municipal na Câmara, preferiu ter cautela ao comentar o fato. “Não posso fazer uma avaliação sem analisar tudo”, disse. Nirley disse que o fato pode servir de norte para as investigações. Luiz Vergara (PSB), presidente da CEI, não foi localizado. Ele estava viajando, segundo sua assessoria de imprensa, que não informou o destino.

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