Mestres dos idiomas: conheça a profissão dos tradutores de texto


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Gabriela Freitas Romero, 26, faz traduções para canais de TV a cabo
Gabriela Freitas Romero, 26, faz traduções para canais de TV a cabo

Claro que a internet é uma mão na roda. Mas, acredite se quiser, existem coisas que ela dificilmente conseguirá fazer de maneira idêntica ou melhor que um ser humano. Uma delas é a tradução de textos.

Quem já precisou usar esse serviço, sabe que ele ajuda bastante, mas, ainda assim, é bastante deficiente nesse quesito. Claro que se pode tentar a sorte e mandar um texto inteiro no Google Tradutor, por exemplo, mas o resultado final nem passará perto do ideal.

Isso acontece porque a tecnologia não consegue - nem poderia - desvendar exatamente o funcionamento da mente humana e, consequentemente, o que ela quer dizer exatamente em um texto ou em uma fala. Coisas desse tipo variam muito, dependem do contexto, da época, de quem escreveu, além de vários outros fatores. Até mesmo para o ser humano, para se tornar um bom tradutor, é preciso labutar muito. Afinal, ele tem que ter todas essas variantes em mente quando se arvora a traduzir algo que alguém disse ou escreveu.

É por essas e outras que o trabalho de um tradutor pode se tornar tão interessante. A tradutora Gabriela Freitas Romero, 26, moradora do Jardim Guanabara, é um bom exemplo. Ela é formada em Letras pela Unesp e fala inglês e francês com fluência; atualmente, estuda a língua alemã. “Faço muitas traduções de roteiros de dublagem pra programas de TV a cabo. Mas minha maior demanda vem da tradução dos setores jurídico e financeiro”, relata Gabriela. “Sou contratada por uma empresa canadense especializada nessas áreas, e fui treinada durante um ano pra assumir a função que tenho agora. É uma linguagem bastante específica e são documentos de alta confidencialidade”.

Da próxima vez que você estiver de boa assistindo algum canal fechado, saiba que o dedo da moça pode estar lá. “Já trabalhei para os canais National Geographic, People and Arts, History Channel, E! Entertainment entre muitos outros. Entre as séries que já traduzi estão Alienígenas do Passado, Caçadores de Relíquias e Top Gear”, disse. “Também traduzi documentários importantes, como sobre o filme Silêncio dos Inocentes e outro sobre a atuação de brasileiros na Segunda Guerra Mundial. Os temas variam bastante”. Fora da televisão, Gabi já fez trabalhos para ninguém menos que a Presidência da República.

O CAMINHO
No caso da Gabriela, a oportunidade de ingressar nesse nicho surgiu na faculdade. “Sempre me interessei muito por poesia, literatura e línguas estrangeiras, o que me levou a fazer Letras. Antes de me formar eu já dava aulas de Inglês e Francês, e através da escola surgiram os primeiros trabalhos de tradução”, lembra. “A liberdade de trabalhar em casa nos meus próprios horários foi definitivamente o que fez com que eu decidisse pela área”. O salário para um profissional com a demanda de Gabriela gira em torno de R$ 5 a R$ 6 mil.

Bom, depois de saber que é possível ganhar uma boa grana trabalhando no conforto do lar, muita gente deve estar pensando seriamente no assunto. Mas, será que você tem o que é necessário? Para Gabriela há alguns requisitos básicos. “Primeiramente, é preciso gostar muito de línguas e cultura estrangeira e fazer um bom curso de Letras. A formação é essencial. Hoje em dia não existe mais essa ideia de que determinados cursos vão te dar retorno financeiro e outros não. É importante fazer o que gosta, nunca deixar de estudar e procurar ser o melhor no que faz”, disse a profissional. “O tradutor, de modo geral, precisa ser detalhista, saber estabelecer prazos realistas e fazer sua network é também parte muito importante do trabalho”.

Caso você se encaixe no perfil, uma boa notícia: o mercado necessita destes profissionais. “O difícil é encontrar o caminho até o cliente. A maioria dos meus eu consegui durante os anos que morei em São Paulo após me formar. Mas muitos conheci ligando na empresa, me apresentando e perguntando se precisavam de serviços de tradução. Um erro muito comum no começo de carreira é desvalorizar o próprio trabalho, aceitando traduções muito abaixo do valor praticado”, disse. “É preciso ousar, se arriscar, procurar as empresas, se apresentar e não desanimar, porque pra cada 50 nãos, você recebe um sim, e é daí que surgem as oportunidades. Se você se coloca no mercado fazendo um bom trabalho, a notícia se espalha e as empresas começam a procurar você”.

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