Com os olhos dos organizadores e expositores brilhando para o mercado externo, a Francal (Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios) dá início nesta terça-feira, dia 9, à sua 45ª edição. A feira traz à luz os produtos pensados para calçar e complementar o visual do consumidor na Primavera-Verão 2013/2014. Até o próximo dia 12, sexta-feira, cerca de mil expositores - entre eles, algumas das maiores empresas de calçados do País, grifes de nome internacional e fabricantes dos polos calçadistas brasileiros - ocupam 82 mil metros quadrados do Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, para apresentar os seus produtos e fechar negócios.
A data da realização da Francal configura uma novidade. Os organizadores optaram pela transferência da feira do tradicional mês de junho para julho, coincidindo o início da exposição com o feriado no Estado de São Paulo da Revolução Constitucionalista de 1932. Com isso, a expectativa é a de que o número de visitas supere as 59,3 mil do ano passado, impulsionadas pelo feriado prolongado.
A cerimônia de abertura oficial da Francal acontece nesta terça-feira ao meio dia no auditório “Elis Regina”. Até a tarde da última sexta-feira, entre as autoridades que tinham confirmado presença na solenidade estavam o Ministro de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel; o prefeito de Franca, Alexandre Ferreira (PSDB); os deputados federais Marco Aurélio Ubiali (PSB) e Renato Molling (PP); e os deputados estaduais Gilson de Souza (DEM), João Fischer (PP) e Roberto Engler (PSDB).
A cidade de Franca estará representada por 64 expositores -cinco a menos que no ano passado -, incluindo estandes individuais, o Espaço Moda Franca, que reunirá 24 fábricas locais, e a imprensa. Motivados pela valorização do dólar frente ao real, o que dá mais competitividade aos produtos nacionais no mercado externo, os organizadores da feira e empresários do setor esperam que a quantidade de importadores supere significativamente os 1,5 mil, de 60 países, que compareceram na edição de 2012.
Esperam ainda, claro, que a consequência seja o fechamento de mais contratos com empresas estrangeiras.
Para o presidente da feira, Abdala Jamil Abdala, o momento realmente é positivo, uma situação deretomada para o setor. “Com o dólar dando mais competitividade para a indústria brasileira, consequentemente vamos retomar aquilo que nos havíamos perdido muito, que são as exportações. O próprio fabricante vai ter mais confiança de entrar no mercado internacional”, afirmou Abdala.
Levantamento feito pelo Iemi (Instituto de Estudos e Marketing Industrial), com a parceria institucional da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), aponta que, em 2012, a indústria brasileira de calçados embarcou 113,2 milhões de pares, gerando acréscimo de 0,3% em volume e queda de 15,7% no faturamento; no acumulado até maio de 2013, o setor indica recuperação. Houve um crescimento de 10,1% em número de pares (52,2 milhões) e de 2,6% em dólares (US$ 455,4 milhões) na comparação com igual período do ano passado.
Abdala afirma ainda que características do calçado brasileiro -como design, alta qualidade e preço competitivo - oferecem condições ideais para que eles sejam produzidos em escala para exportação. “E a Francal pode ser uma grande alavancadora desse processo”, disse o presidente.
A depender do otimismo do empresariado, ele tem razão. Para o diretor de marketing da francana Sândalo, Téti Brigagão, por exemplo, a valorização da moeda norteamericana já mostrou consequências concretas. Ele afirma que, em 2012, os diretores da empresa realizaram na Francal 32 reuniões com importadores, enquanto para este ano já há, segundo Téti, 51 encontros agendados no estande. “A grande novidade deste ano realmente é o mercado externo. Estamos contando com uma visitação bem maior, uma vez que o dólar influencia, as pessoas estão voltando para o Brasil de olho nesta taxa melhor, e isso é muito bom”, disse Téti, cujos clientes importadores vêm principalmente da América do Sul, Oriente Médio e, em menor escala, da Europa e da Ásia.
A aposta no poder de compra dos estrangeiros também é uma realidade na Impec, fabricante de palmilhas e calçados em Franca. “Nosso foco são as vendas e um aumento na visitação total do estande; esperamos um crescimento de 20%. Quanto à alta do dólar, para nós é positivo”, afirma a coordenadora comercial da empresa, Paula Antonietto Gomes, ponderando que, como a compra de parte da matéria-prima também é feira em dólar, o que seria só lucro sofre uma amortização.
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