Amplamente divulgada , pesquisa com jovens alunos de escolas públicas e particulares do Estado de São Paulo exibe uma triste realidade: 70% dos entrevistados já experimentaram algum tipo de bebida alcoólica. São dados preocupantes na medida em que a escravização ao vício do álcool é até mesmo mais grave do que a AIDS, visto ser de controle impossível, degradante e incurável.
O levantamento é importante. É como romper-se a indisposição dos pais de enxergar uma realidade cuja cortina se lhes abre à revelia, a exigir providências. Entretanto, ninguém ignora que três são as principais causas da viciação alcoólica. Primeira – a propaganda de marcas de bebidas a induzir subliminarmente o público jovem e até infantil, voltada para o ‘glamour’ e autoafirmação, envolvendo belos e belas jovens ‘alegres, realizados e felizes’; Segunda – O apetite incontrolável dos governos pelo maldito tributo das drogas ‘lícitas’. Ávidos por mais impostos, fecham os olhos para os números das estatísticas, ostensivamente representativos de angustiosos dramas familiares, perda da moral, da saúde, da capacidade laboral, contracenando com despesas sabidamente ineficazes dos cofres da previdência e da saúde pública; Terceira – Da mesma realidade, outra face que se faz lembrada, a do exemplo: jovens se dizem conscientes de hábitos alcoólicos de seus pais, em casa, bares, festas, competições esportivas...
Dizem os entendidos que é impositivo o exemplo que pais oferecem aos filhos. Que moral terá um ‘bebedor’ para orientar os filhos quanto à inconveniência do consumo da droga? O ensinamento até convence, mas, o exemplo arrasta. A arte dos ídolos da juventude, assim como as letras das músicas, especialmente as chamadas sertanejas universitárias, desejável seria que recebessem tratamento não estimulante à viciação alcoólica.
A pesquisa tem três aspectos: mostra que grande parte dos jovens bebe para não ser diferente dos demais; que o uso livre de bebida é porta para o consumo de drogas mais pesadas; e o de um jovem entrevistado afirmar que, nas festas, muitos já chegam alcoolizados, evidenciando que já bebia antes de sair de casa. Onde a orientação e o controle dos pais? Alguns alegarão respeito às liberdades individuais, esquecendo-se, porém, de que não existe liberdade sem responsabilidade. Quando se trata de aplicar vacina dolorosa e necessária, deve o pai respeitar recusa do filho? Sem ilusões! Não há bebida alcoólica inocente! Todas fazem de infelicidade a tragédias.
Ou proíbem a fabricação ou legisladores e governos continuam agentes ativos de desgraças humanas. É preciso que se considere que prevenção e tratamento do alcoolismo são aspectos de uma realidade que já não admite hipocrisia, a requerer medidas tão drásticas quão dramáticos são os males que causa.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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