Jépy Pereira abandona sessão quente e vai para praia do Caribe


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Jépy Pereira durante lançamento da Expoagro 2013
Jépy Pereira durante lançamento da Expoagro 2013

O presidente da Câmara, Jépy Pereira (PSDB), tentou pela quarta vez, este ano, aprovar a retomada das férias de inverno para os vereadores. Na sessão do dia 7 de maio, apresentou projeto em regime de urgência propondo trocar 15 dias de descanso em dezembro por igual período em julho. “A mudança no calendário de trabalho é benéfica. Em julho, temos poucas matérias para serem votadas”, argumentou. Com a repercussão negativa, a proposta acabou adiada. Levada à votação uma semana depois, a ideia foi sepultada pelo plenário. Quase dois meses depois, uma explicação para justificar o interesse do veterano vereador nas férias veio à tona. E de uma maneira irregular.

Terça-feira, 2 de julho: a sessão pegou fogo com três propostas de criação de CEI do ônibus. Antes da abertura dos trabalhos, o vice-presidente, Marco Garcia (PPS), passou mal e teve que ser internado. Um dos alvos principais dos manifestantes que ocuparam as ruas de Franca dias antes, Jépy deu mostras de não estar muito preocupado com a ebulição política.

Por volta das 14h10, na abertura da parte mais importante da sessão, quando são votados os projetos, Jépy pediu ao primeiro secretário, Luiz Vergara (PSB), que assumisse a presidência. “Tenho compromissos administrativos. Agradeço aos colegas e boa sessão.” O compromisso, na verdade, era pegar uma van que o aguardava no estacionamento e seguir para o aeroporto. Mais tarde, Jépy embarcaria para o Caribe, onde descansará até o dia 10.

Jépy não assinou a folha de presença e não participou das votações do dia. Sete projetos e quatro requerimentos foram discutidos na reunião pelos demais vereadores. O artigo 88 do Regimento Interno da Câmara diz que é considerado presente o vereador que assina a folha e participa “efetivamente” dos trabalhos em plenário e das votações. As ausências devem ser justificadas por meio de ofício fundamentado ao presidente. Consideram-se motivos justos o desempenho de missões oficiais ou doença. A falta sem justificativa tem que ser descontada do salário do vereador.

O presidente fez propaganda nos corredores da Câmara, para amigos e inimigos, que viajaria para uma praia no exterior. Assessores disseram que ele prometeu presentear os mais próximos com charutos. Jépy não se licenciou e deixou vários documentos sem assinar. Oficialmente, a Câmara está sem presidente, pois o vice está doente. Se um ato interno que o próprio Jépy assinou, dia 1º, tiver validade, a próxima reunião corre risco de não acontecer. Ele estabeleceu que o “presidente” definirá “pessoalmente” a pauta da ordem do dia da sessão. É pouco provável que consiga chegar do Caribe a tempo.

CONTRADIÇÕES
Tão logo a oposição conseguiu aprovar a CEI da São José, Alexandre Ferreira (PSDB) encerrou a comissão interna que havia aberto para analisar a possibilidade de reduzir o preço da passagem, sob a justificativa de “reduzir os prazos e dar mais praticidade às ações”. Se o prefeito, realmente, pensa assim, por que sua base aliada apresentou dois pedidos de abertura de CEIs com a mesma finalidade?

IML
No hospital onde se recuperava de dores no rins, o vereador Marco Garcia gelou quando descobriu que o médico escalado para examiná-lo era legista. Para alívio dele, o doutor José Carlos Inácio também é urologista. Certamente, foi menos dolorido...

MOTIVADOR
Muito boas as palavras de conforto que Laercinho (PP) falou para Marco Garcia via TV Câmara: “Ao contrário do seu suplente, estou torcendo para você se recuperar”.

PAI DO VIADUTO
O ex-prefeito Sidnei Rocha (PSDB) será convocado para encerrar, no dia 12, a série de depoimentos na CEI aberta para apurar irregularidades na construção do Viaduto “Dona Quita”. A assessoria do vereador Márcio do Flórida (PT) enfrenta dificuldades para entregar a notificação, mas Sidnei prometeu recebê-la hoje. Se ele vai comparecer, é outra história.

ENTENDEU OU QUER QUE DESENHE?
Na última sessão, foi aprovada em plenário uma comissão para representar a Câmara na abertura da Francal, dia 9. Pastor Otávio (PTB) quis saber porque foi preciso fazer a votação se antes a medida não era exigida. Caro pastor, é porque alguns vereadores exageram nas viagens e usaram recursos públicos para bancar gastos pessoais, como a compra de medalhas...

MÍSSEL CERTEIRO
Que fase! Terça-feira, Adérmis Marini (PSDB) sentiu na pele o que é ser líder na Câmara de um governo contestado. Levou pau de manifestantes e da oposição. Quando teve tempo para sair do plenário e refrescar a cabeça, uma pombinha passou, mirou e soltou a “bomba”, que acertou em cheio o seu ombro esquerdo.

FÉRIAS DE INVERNO
Ao contrário dos vereadores, vou parar 15 dias em julho. Em função da cobertura da Francal e do “merecido” descanso, a coluna só voltará a circular em agosto.

CHAPA FERVENDO
Como é pouco - para não dizer nada - habituado a assumir suas falhas, Alexandre Ferreira tem colocado na conta do assessor legislativo, Edvaldo Costa, parte da culpa por suas sucessivas derrotas na Câmara. Mas não é por aí. Vereadores, governistas ou não, dizem que falta habilidade ao prefeito. Até mesmo entre os tucanos, o único que se esforça para defender Alexandre na Câmara é Adérmis Marini. Jépy, Valéria e Donizete da Farmácia dão uma boiada para não entrar em brigas.

Edson Arantes
Jornalista – edson@comerciodafranca.com.br

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